quarta-feira, 10 de junho de 2026

Transnordestina não encontra investidor para terminal em Missão Velha, diz TLSA


As obras do terminal logístico previsto para a cidade cearense de Missão Velha, na rota da ferrovia Transnordestina, não iniciaram porque não houve investidor interessado para o equipamento, segundo o diretor comercial e de terminais da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), concessionária responsável pela construção e operação da ferrovia, Alex Trevisan.


"Imaginamos Missão Velha para atender a região com algum terminal, algum tipo de carga, algum transbordo, mas, por enquanto, ainda estamos aguardando investidores que queiram montar um terminal específico e/ou movimentar alguma carga naquela região", cita Alex Trevisan.


Trevisan ainda menciona a questão industrial do Cariri cearense e o crescimento do agronegócio na Chapada do Araripe, com a busca de áreas agrícolas para o plantio de culturas como milho e soja.


Vale lembrar que Missão Velha foi a cidade escolhida pelo presidente Lula em 2006 para o anúncio das obras da ferrovia. 


Quantos terminais terá a Transnordestina no Ceará?

Segundo informações da TLSA, a ferrovia contará com 11 terminais logísticos ao longo dos 1.206 quilômetros (km) de extensão. Seis deles estarão no território cearense.


O empreendimento de Missão Velha é o primeiro terminal de carga da Transnordestina no Ceará. A ferrovia começa no Piauí, corta o oeste de Pernambuco e cruza o Ceará, subindo do sul do Estado até o Porto do Pecém.


A perspectiva é de que o terminal de Missão Velha, assim como o de Maranguape (oficialmente denominado Complexo Logístico e Intermodal do Ceará - Clic) e do Porto do Pecém, sejam 'condomínios logísticos'.


Além de Missão Velha, Maranguape e Porto do Pecém, a Transnordestina terá os terminais de Iguatu e Quixadá no percurso no Ceará. O outro empreendimento será o de Quixeramobim, o primeiro porto seco do Estado.


Como estão as obras da Transnordestina no Ceará?

As obras da ferrovia devem ser concluídas oficialmente no Sertão Central nos próximos dias, como declara Trevisan. A perspectiva é de que os lotes 4 (Acopiara - Piquet Carneiro) e 5 (Piquet Carneiro - Quixeramobim) sejam entregues ainda em junho.


"O lote 6, entre Quixeramobim e Quixadá, devemos entregar no segundo semestre. O lote 7 é quase todo em Quixadá e termina na cidade de Itapiúna. A previsão é entregarmos no começo do ano que vem", completa o diretor da TLSA.


O início das obras do lote 11 (Caucaia - Porto do Pecém), o último da Transnordestina, foi necessário para a construção da ferrovia em bitola mista, padrão único em todo o percurso ferroviário.


Bitola é a distância entre os trilhos de uma ferrovia. A Transnordestina é construída em bitola larga (1,60 metro de distância entre os trilhos), enquanto a Ferrovia Fortaleza-São Luís opera em bitola métrica (1 metro de distância entre os trilhos).


As duas ferrovias se cruzam próximo de Caucaia e seguem até o Porto do Pecém para embarque e desembarque de cargas.


A Ferrovia Fortaleza-São Luís começa no Porto do Mucuripe, e é operada pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), empresa que, assim como a TLSA, pertence à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).


"Vamos ter algumas alças. Desse cruzamento até dentro do Porto do Pecém, a ferrovia segue em bitola mista para atender tanto em bitola larga quanto bitola métrica, atendendo aos terminais existentes dentro do porto", explica Trevisan.


A Transnordestina está operando desde o fim de 2025 em fase de testes entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE). Conforme Trevisan, a ferrovia deve ser concluída até o último trimestre de 2027.


Fonte: Diário do Nordeste

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