domingo, 28 de junho de 2026

Associação Caatinga avança na criação e ampliação de áreas protegidas em Crato, Santana do Cariri e Araripe

Foto: Samuel Portela

A criação de duas novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e a ampliação de outras quatro unidades de conservação devem acrescentar cerca de 600 hectares de áreas legalmente protegidas no Ceará. As iniciativas, conduzidas pela Associação Caatinga nos municípios de Crateús, Crato, Santana do Cariri e Araripe, buscam fortalecer a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e de espécies ameaçadas do bioma Caatinga.


As etapas técnicas, os levantamentos de campo e o georreferenciamento das duas novas reservas já foram concluídos. Os processos foram protocolados junto à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Sema) e aguardam análise para oficialização.


Em Santana do Cariri, a futura RPPN Melina Garcia terá 13,68 hectares destinados integralmente à conservação ambiental. Já em Araripe, a RPPN Chapada da Torre contará com 21,02 hectares protegidos.


Além das novas unidades, quatro reservas passarão por processos de ampliação. Em Crateús, a RPPN Serra das Almas está em fase final de regularização de uma expansão que elevou sua área de 5.845 para 6.285 hectares. Também no município, a RPPN Neném Barros concluiu os estudos necessários para ampliar sua extensão atual de 63,16 hectares.


No Cariri, a RPPN Oásis Araripe, localizada no Crato e administrada pela ONG Aquasis, ampliará sua área de 50 para 56 hectares. Já a RPPN Buritis Águas Naturais, em Santana do Cariri, deverá passar de 10 para 27,71 hectares após a conclusão dos trâmites necessários.


Segundo Samuel Portela, coordenador de Conservação da Biodiversidade da Associação Caatinga, a criação e ampliação dessas áreas fortalece a proteção de ecossistemas estratégicos para o Ceará.


"As iniciativas ajudam a proteger a biodiversidade, os recursos hídricos e importantes remanescentes de vegetação nativa, além de ampliar a conectividade entre áreas naturais e fortalecer a rede de áreas protegidas do estado", afirma.


Espécies ameaçadas

As ações devem beneficiar diversas espécies da fauna e da flora nativas, especialmente aquelas associadas a ambientes mais preservados. Entre os ambientes contemplados estão áreas de veredas com extensos buritizais, consideradas raras no Ceará e fundamentais para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos.


Entre as espécies ameaçadas que serão beneficiadas estão o soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), ave criticamente ameaçada encontrada exclusivamente nas encostas úmidas da Chapada do Araripe, e o periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), também criticamente ameaçado e alvo de ações de reintrodução na Reserva Natural Serra das Almas.


A escolha dos municípios contemplados levou em consideração tanto o interesse de proprietários rurais em criar ou ampliar reservas quanto a relevância ambiental das áreas. Outro fator foi a presença de iniciativas de conservação já desenvolvidas pela Associação Caatinga e pela Aquasis na região.


Desafio para ampliar a proteção da Caatinga

Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, a Caatinga ainda possui uma proporção relativamente baixa de áreas legalmente protegidas em comparação com outros biomas brasileiros.


De acordo com Samuel Portela, ainda existem diversas áreas prioritárias para conservação no Ceará, especialmente na Chapada do Araripe, em serras úmidas, veredas, carnaubais, maciços residuais e remanescentes preservados do bioma.


Atualmente, as RPPNs protegem cerca de 16 mil hectares no Ceará e desempenham papel complementar às unidades de conservação públicas, contribuindo para a proteção de espécies ameaçadas, recursos hídricos, corredores ecológicos e remanescentes significativos de vegetação nativa.


"As RPPNs demonstram que a conservação da natureza também pode ser protagonizada pela sociedade. Ao proteger áreas privadas de forma perpétua, essas reservas contribuem para a preservação da biodiversidade, das nascentes, dos rios e dos serviços ambientais que beneficiam toda a população", destaca o coordenador.


Ao longo de sua trajetória, a Associação Caatinga já apoiou a criação e a gestão de 39 reservas particulares e 12 unidades de conservação públicas. Juntas, essas áreas somam mais de 203 mil hectares protegidos, extensão equivalente a mais de seis vezes o território de Fortaleza.


As atividades integram o projeto "RPPN: Conservação Voluntária Gerando Serviços Ambientais", financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do projeto GEF Terrestre.


Fonte: O Povo

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