| Foto: Blog do Ambrósio Santos |
O começo do El Niño, que representa o aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico, foi confirmado pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) nesta quinta-feira, 11.
Os efeitos do fenômeno diferem em cada região. No Ceará, são esperados o aumento de temperaturas, a diminuição da umidade relativa do ar, a irregularidade de chuvas e a ampliação do risco de propagação de incêndios.
A confirmação já era esperada por meteorologistas. O monitoramento do aquecimento gradual da superfície do oceano já apontava para a consolidação das condições de El Niño.
O fenômeno é caracterizado quando as águas do Pacífico equatorial atingem média de aquecimento maior ou igual a 0,5° C. Segundo a NOAA, essa temperatura foi atingida nas últimas semanas.
Com as condições de El Niño confirmadas, os meteorologistas continuam observando as temperaturas para definir a intensidade do evento.
A agência dos Estados Unidos estima que há 63% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte durante o período de novembro a janeiro - um dos maiores registrados na série histórica desde 1950.
“Mesmo eventos de El Niño muito fortes não resultam necessariamente nos impactos esperados em todas as regiões; no entanto, eventos mais intensos podem aumentar de forma mais significativa a probabilidade de ocorrência dos resultados previstos”, diz o comunicado da NOAA.
Ceará mais quente no segundo semestre
Francisco Vasconcelos Júnior, diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), explica que os efeitos do El Niño a curto prazo no Estado estão relacionados à temperatura. O segundo semestre, quando o Ceará já vive um período mais quente, pode registrar ainda mais calor.
Em abril, modelos climáticos da Funceme já indicavam que o Ceará poderia ter meses de julho, agosto e setembro até 2° C mais quentes que o normal devido à influência do El Niño.
“Quanto mais a gente tem essa elevação da temperatura do Pacífico, colocando mais energia na atmosfera, essa energia se propaga no globo. Essa temperatura do ar vai ficando mais quente, mesmo que devagar. Nós estamos no semiárido, terminou a estação chuvosa e já estamos com o céu mais claro. Então, a média de temperatura começa a subir”, Francisco Júnior, diretor técnico da Funceme.
A população pode começar a perceber as tardes mais quentes entre 14h e 15h, quando geralmente ocorrem as maiores temperaturas do dia. Francisco projeta que o calor pode ser ainda mais forte a partir de agosto, quando a quantidade de ventos diminui no Estado.
Além disso, as temperaturas mais altas influenciam na diminuição da umidade relativa do ar. Em uma perspectiva de saúde, isso pode ocasionar o ressecamento das vias aéreas, tornando a hidratação uma necessidade ainda mais fundamental.
A situação também influencia o risco de incêndios florestais, combinado a uma vegetação mais seca e a umidade de solo mais baixa.
Essas condições podem favorecer ainda a formação de ondas de calor. Mais comuns em setembro, outubro e novembro no Estado, esses fenômenos climáticos representam temperaturas altas em grandes regiões por pelo menos três ou quatro dias.
Por que esse El Niño preocupa?
Apesar de ser um fenômeno natural que ocorre a cada dois a sete anos, o El Niño que se forma em 2026 tem preocupado especialistas pela rapidez do aquecimento das águas do Pacífico e pela probabilidade de ser um dos mais intensos dos últimos tempos.
Segundo o diretor técnico da Funceme, o pico do fenômeno geralmente ocorre no fim do ano, entre a primavera e o verão do hemisfério Sul. As probabilidades indicam que existe 88% de chance dele ser considerado pelo menos forte até o fim de 2026.
“Desde o começo de maio, [o oceano] já aqueceu bastante. Então, a tendência é de já ficar moderado agora em julho”, explica Francisco Júnior.
A intensidade do El Niño é classificada pelo Índice Oceânico Niño (ONI), que mede o percentual de aquecimento anormal do oceano em relação à temperatura usual das águas superficiais do Pacífico.
Acima de 0,5° C: fraco
Entre 1° C e 1,5° C: moderado
Entre 1,5°C e 2°C: forte
Acima disso: muito forte
O último fenômeno considerado forte, ou seja, que teve média de temperaturas acima de 1,5°C, ocorreu em 2015-2016. No Ceará, esses anos registraram uma das secas mais graves da história recente.
Comitê de Segurança Hídrica monitora condições climáticas no Ceará
Diante da formação do El Niño e dos possíveis efeitos do fenômeno, o Comitê Integrado de Segurança Hídrica do Ceará afirma que está "fortalecendo as ações de monitoramento, planejamento e gestão integrada dos recursos hídricos".
Em nota, o grupo formado por diversas secretarias e entes do Governo do Estado explica que o acompanhamento contínuo deve subsidiar a adoção de medidas preventivas e estratégias para "reduzir a vulnerabilidade do Estado frente a possíveis impactos sobre a disponibilidade hídrica".
O Comitê destaca três obras que devem impactar na gestão hídrica do Ceará e mitigar efeitos de secas: a Malha d’Água, a duplicação do Eixão das Águas e o Cinturão das Águas do Ceará (CAC).
Fonte: Diário do Nordeste
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