quinta-feira, 7 de maio de 2026

Professor da UFCA é um dos vencedores do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira 2026

Foto: Ana Paula Lima

O professor Manoel Deisson Xenofonte, docente do curso de design da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e egresso da formação, foi um dos vencedores do 36º Prêmio Design do Museu Casa da Brasileira (MCB), realizado este ano. A premiação reconhece trabalhos de designers de todo Brasil, em duas fases principais: o concurso do cartaz e a premiação de produtos e trabalhos escritos.


O professor da UFCA submeteu ao prêmio, na categoria trabalhos escritos, a sua tese de doutorado, intitulada “A produção editorial de Sérvulo Esmeraldo: o livro como espaço de criação e experimentação gráfica”. O trabalho, reconhecido como destaque da edição, foi defendido na instituição onde o docente cursou seu doutorado, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 2025. Deisson foi orientado pelas docentes Solange Galvão Coutinho (UFPE) e Edna Oliveira da Cunha Lima (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio).


“Foi uma grande honra receber esse reconhecimento, especialmente por se tratar de um prêmio de grande prestígio no cenário do design brasileiro. Destaco também a relevância de ser o único representante de uma instituição do Nordeste entre os premiados, o que reforça a importância de ampliar a visibilidade da produção acadêmica da região. Além disso, foi muito significativo ter o trabalho orientado pelas pesquisadoras Solange Galvão Coutinho e Edna Cunha Lima, referências na área”, disse o professor Deisson.


Prêmio Design Museu da Casa Brasileira

O Prêmio Design Museu da Casa Brasileira é realizado desde 1986, com o objetivo de reconhecer e valorizar o design brasileiro. Nesta edição do prêmio, a organização optou por não atribuir colocações aos trabalhos (primeiros, segundos ou terceiros lugares). As melhores realizações estão expostas em uma mostra no Complexo Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo-SP, inaugurada no último dia 25 de abril. A exposição, em cartaz até o próximo dia 19 de julho, conta com 51 produtos, 30 livros e 37 trabalhos acadêmicos selecionados – entre estes, o trabalho de Deisson.


Já no concurso do cartaz, os participantes enviaram propostas para a identidade visual do evento. Os trabalhos da categoria partiram do tema “O morar no Brasil hoje”. Dos 368 trabalhos submetidos, 49 foram selecionados pela comissão julgadora - entre eles o cartaz vencedor, 11 destaques e 37 selecionados. Conforme os realizadores, o conjunto, também exposto no Complexo Cultural, forma “um panorama diverso, criativo e cheio de ideias da produção gráfica contemporânea no Brasil”.


O cartaz vencedor, foi o da designer Sofia de Carvalho Costa e Lima, de Salvador-BA.


“Fui gradualmente me envolvendo e me encantando com a amplitude e a singularidade da obra de Sérvulo”

Nascido no Crato em 1929, Sérvulo Esmeraldo é um artista brasileiro reconhecido internacionalmente. Na tese de professor Deisson, Sérvulo é descrito como um artista “múltiplo e experimental”, que “transitou por diferentes movimentos, linguagens e técnicas, explorando os universos da gravura, da arte cinética, da escultura e das artes gráficas”. Em uma descrição simples, a arte cinética é caracterizada por obras que apresentem algum movimento ou alguma ilusão de ótica.


De acordo com o professor da UFCA, a ideia de abordar a obra de Sérvulo Esmeraldo surgiu com uma indicação da também professora do curso de design da universidade, Adriana Botelho: “[A professora Adriana Botelho] havia visitado o Instituto Sérvulo Esmeraldo [em Fortaleza] e identificado o potencial de investigação de sua produção gráfica. Posteriormente, tive a oportunidade de ser apresentado à Dodora Guimarães [esposa de Sérvulo] pela própria professora. A partir desse contato, fui gradualmente me envolvendo e me encantando com a amplitude e a singularidade da obra de Sérvulo, o que consolidou a decisão de torná-lo tema da pesquisa. A Dodora, inclusive, me indicou para uma bolsa de pesquisa no Instituto de Arte Contemporânea de São Paulo, que foi fundamental para o desenvolvimento da tese”, detalha Deisson.


Conforme o docente, a pesquisa demonstrou que Sérvulo Esmeraldo foi um artista gráfico de grande relevância, para além de sua atuação como escultor, gravador e artista cinético: “Sua produção estabelece diálogos com correntes do design gráfico, especialmente no campo do design editorial. As contribuições identificadas revelam experimentações gráficas significativas, que o posicionam como uma referência importante na construção da história do design no Brasil, ainda pouco explorada sob essa perspectiva”, disse.


Professor Deisson, que é um pesquisador no campo do design, acredita que a produção acadêmica tem sido cada vez mais valorizada nessa área, especialmente a produção relativa à história do design no Brasil a partir de referências locais: “Desde o início dos anos 2000, é possível perceber um movimento de ampliação desse olhar, buscando ir além das narrativas mais tradicionais. Nesse sentido, não se trata apenas de reconhecer como design as produções ligadas ao modernismo, mas de adotar uma compreensão mais ampla do universo gráfico, incorporando ilustração, fotografia e outras práticas que ajudam a evidenciar uma cultura projetual mais diversa”, finaliza.

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