| Foto: Fabiane de Paula/ SVM |
O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), foi entrevistado nesta segunda-feira (15) no Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares. O chefe do Executivo estadual fez um balanço das ações de seu governo em 2025 e discutiu os planos para o próximo ano.
O combate à expansão das facções criminosas no estado foi um dos temas da entrevista. Elmano destacou o aumento expressivo nas prisões, mas admitiu a preocupação com brechas na legislação. Ele defendeu a aprovação do projeto de lei anti-facções do governo federal e detalhou investimentos em contratações e infraestrutura de segurança.
O governador afirmou que deve adicionar quatro mil vagas nos presídios do estado. "Vamos precisar de mais vagas no presídio porque quero colocar todos criminosos na cadeia", disse.
-Governador, a gente queria começar falando do que hoje é uma das principais preocupações dos cearenses, que é relacionada a essa influência das facções criminosas aqui no Estado. A gente teve números recentes que mostram aí um aumento nas capturas, 96,4% em 2025, mas ainda existe muita ousadia por parte das facções.
Bom, primeiro intensificar as ações de enfrentamento a essas organizações criminosas. A preocupação da população é exatamente a minha preocupação. E eu tenho muita esperança de que o Congresso possa votar e aprovar o projeto anti-facção do presidente Lula, que garante que alguém de facção fique 10 a 20 anos preso. Nós tivemos dias atrás uma pessoa presa com 16 homicídios, respondendo a 16 homicídios. O caso de Itarema, do barco que foi incendiado, as pessoas foram presas. Meu receio é que daqui a pouco esteja solto novamente. Então, nós aumentamos em mais de 90% a prisão de faccionados. Nós aumentamos em mais de 35% a prisão de quem pratica homicídio no Estado do Ceará. E nós aumentamos de 21 para 25 mil o número de presos.
Agora, as facções perceberam que tem brecha na lei. Por exemplo, quando um faccionado vai na casa de um cidadão de bem e ameaça o cidadão de bem e diz que ele tem 24 horas para sair de casa, hoje a lei trata isso como crime de ameaça. E o delegado nem o inquérito pode abrir, porque só pode se a pessoa denunciar. E é claro que a pessoa não denuncia com medo. Então, a mudança que o presidente Lula está propondo ao Congresso é que, acontecendo isso, nós já podemos atuar imediatamente, ele vai responder pelo crime de ser faccionado e por estar ameaçando um cidadão de bem, está ameaçando um comércio, está ameaçando o cargo de uma empresa que está entrando em um determinado bairro, que às vezes o crime quer dominar também a economia.
Então, o que nós vamos fazer é continuar intensificando. Já contratamos 3.500 profissionais de segurança da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Perícia. Estão realizando um concurso para contratar mais policiais militares, no mínimo 1.000, mais 500 policiais civis, mais de 100 delegados. Nós reestruturamos, aumentamos, batalhões da Polícia Militar, aumentamos delegacias. Essa semana mesmo eu inauguro a delegacia da região metropolitana de homicídios em Caucaia para atender a região metropolitana. Ou seja, nós vamos continuar intensificando as ações e prender cada vez mais. Inclusive, nos próximos dias, estou sugerindo fazermos o cumprimento de uma decisão judicial para fazer um mutirão com o Poder Judiciário, com o Ministério Público, para iniciar muito rapidamente a função de pelo menos 4.000 vagas do sistema prisional cearense de maneira célere, porque eu sei que nós vamos precisar de mais vagas no presídio, porque eu quero colocar todos na cadeia.
-Como é que a gente consegue, para além de falar das vagas e das novas unidades que estão disponíveis no sistema prisional, mas de certa maneira cortar? Que estratégia vem sendo feita para que essas ordens não saiam do presídio de acordo com essas facções criminosas que ainda insistem nessa comunicação, governador?
Bom, primeiro dizer que nós trouxemos providências muito importantes para reduzir a comunicação de quem está preso com a sociedade e com quem atua nessas facções. Nós retiramos todas as tomadas ainda pelo governador Camilo do nosso sistema prisional. O sistema prisional cearense não tem tomada, ele não consegue recarregar. Nós colocamos controles com equipamentos especializados para que ninguém possa adentrar com algum tipo de celular, algum tipo de equipamento. Nós temos duas coisas que nós combatemos permanentemente. Uma é funcionário que às vezes se envolve com corrupção, ou funcionário ameaçado pela facção, ele ou a sua família, e acaba deixando entrar alguma coisa.
E segundo, infelizmente, nós temos tido algumas situações de atuação estranha de alguns advogados que reúnem não uma vez com o seu cliente, reúnem 50 vezes com o seu cliente, 100 vezes com o cliente. E nós achamos que isso nos dava indícios de que isso não era apenas uma atuação advocatícia, era alguém levando comunicação e informação para fora. E o Tribunal de Justiça tomou uma decisão recentemente permitindo no Presídio de Segurança Máxima que as conversas sejam gravadas. Nós vamos cumprir a decisão judicial, concordamos com ela, para que efetivamente também esse canal de comunicação que poderia estar acontecendo, ele seja cessado, porque nós superamos no Ceará aquela situação em que um preso ficava num presídio com o celular na mão, ligando, falando, isso no Ceará praticamente não existe mais, mas continuamos a fazer a fiscalização de rotina, e o sistema prisional cearense é absolutamente controlado pelo Estado, não tem no Ceará Presídio A, que a facção controla, Presídio B, que a facção controla. Quem controla o presídio do Ceará é o Estado.
Na sequência, ele comentou o Polo Automotivo e a chegada de data centers; os números de feminicídio; e a cobrança sobre a demora na entrega do Anel Viário de Fortaleza. Ao final, o governador falou sobre a dinâmica do secretariado em ano pré-eleitoral e desejou felicidades aos cearenses.
Fonte: g1 CE
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