terça-feira, 20 de outubro de 2026

Lula protocola documento no TSE e no STF em que diz que libera a divulgação de sigilos dele e de parentes se Flávio também o fizer

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

O candidato do PT à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou nesta terça-feira (20) um documento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que afirma que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos 8 anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo.


Lula tomou a medida após desafiar Flávio, no debate realizado pela Band no último domingo (18), a divulgar os sigilos. O petista reiterou o desafio durante entrevista concedida nesta segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS), onde cumpriu agenda de campanha.


Nesta terça, durante entrevista em São Luís (MA), Lula comentou o envio do documento ao TSE.


"Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele", disse o candidato do PT à reeleição.


O presidente também apresentou uma manifestação com o mesmo teor ao Supremo Tribunal Federal (STF).


No debate da Band, Flávio afirmou não ter "absolutamente nada a esconder", mas não afirmou se vai autorizar a quebra do sigilo.


De acordo com a petição apresentada pela defesa de Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados – seja por meio do sistema Divulga CandContas da Corte Eleitoral, ou de outro site de acesso público – vão abranger os seguintes familiares de Lula:


Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente;

Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha;

Marcos Cláudio Lula da Silva, filho;

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF;

Sandro Luís Lula da Silva, filho;

Luís Claudio Lula da Silva, filho.


Os filhos de Lula já manifestaram que estão de acordo com a liberação dos dados.


O texto também estende a liberação de sigilos de empresas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou "usuários master".


No caso de Lula, foi citada a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual é sócio não administrador.


A defesa de Lula propõe a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos de ambos os candidatos antes da próxima quarta-feira (21). Para os advogados, a medida é fundamental para assegurar que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir o seu voto.


Éden Valadares, secretário da campanha do petista, afirmou que a medida proposta por Lula tem respaldo na Constituição, que preza pela probidade administrativa, moralidade e prevê a análise de vida pregressa para o exercício de mandatos.


"Lula toma uma iniciativa histórica, que risca no chão a diferença dos candidatos, dando transparência a todo o seu sigilo e desafia o adversário a fazer o mesmo. Quem não deve, não teme", disse Valadares.


A petição apresentada ao TSE foi distribuída, por sorteio, ao ministro André Mendonça, que será o relator desse caso.


Sigilos de Flávio

Lula condiciona a liberação dos seus sigilos e os de parentes à autorização, por Flávio Bolsonaro, da divulgação dos sigilos dele e dos seguintes familiares:


Jair Bolsonaro, pai;

Rogéria Bolsonaro, mãe;

Carlos Bolsonaro, irmão;

Eduardo Bolsonaro, irmão;

Jair Renan Bolsonaro, irmão;

Fernanda Bolsonaro, esposa.


E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL:


Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia;

All In One Corretora de Seguros Ltda;

Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda;

Bolsonaro Digital Ltda;

Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como "usuário master".


Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz.


O outro inquérito trata do financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme.


A defesa do senador tem negado irregularidades nas investigações, afirmando que não há envolvimento em ilícitos e criticando a divulgação de peças sigilosas durante o período eleitoral.


Fonte: g1

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