terça-feira, 7 de abril de 2026

Dia Mundial da Saúde: fim dos lixões no Cariri vai reduzir riscos de doenças respiratórias e melhorar qualidade de vida


Respirar fundo deveria ser um ato involuntário e seguro, no entanto, para milhares de pessoas, a qualidade do ar que entra nos pulmões ainda é ditada pela direção do vento e pela fumaça tóxica de lixões a céu aberto. No Brasil, ao longo de 2024, cerca de 4,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos foram queimadas de forma irregular. Esse volume, que representa 5,4% de todo o lixo urbano gerado no país, segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), transforma áreas de descarte em verdadeiros focos de adoecimento em massa. 

O Dia Mundial da Saúde, celebrado neste 7 de abril, é mais uma oportunidade de levantar o debate sobre o impacto dessa prática na qualidade de vida da população, e de como a destinação adequada do lixo se torna pilar fundamental da medicina preventiva e do bem-estar social.

Embora o impacto exato muitas vezes fique subnotificado nas estatísticas do Sistema Único de Saúde (SUS), sabe-se que a queima de resíduos sólidos libera compostos altamente perigosos, como dioxinas, furanos e material particulado fino (PM 2.5). Essas partículas minúsculas ultrapassam as barreiras naturais do corpo, alojando-se diretamente nos pulmões e na corrente sanguínea, causando graves problemas respiratórios, cardiovasculares e aumentando o risco de câncer de pulmão.

O contraste no Cariri
Na região do Cariri, três municípios já vivem, na prática, a relação entre dar destino correto aos resíduos e prevenção de doenças, principalmente as respiratórias. Para os moradores das cidades de Barbalha, Crato e Caririaçu, a convivência com a fumaça dos lixões ficou no passado. Com o fechamento definitivo dessas estruturas irregulares, a população que por anos sofreu com a exposição crônica a agentes tóxicos relata hoje uma melhora significativa e imediata na qualidade de vida. 

Paulo Pedro Ferreira, morador da Vila Santo Antônio, em Barbalha, bairro que sofria com a fumaça vinda do lixão, diz que hoje está muito melhor. “Tinha um fumaceiro que tomava conta do bairro”, lembra. “Aqui perto tem dois hospitais, o do Coração e o São Vicente. Nos dias que a fumaça ganhava isso tudo aqui, a gente via o desespero do povo”, relatou Paulo. Barbalha, Crato e Caririaçu já desativaram os lixões a céu aberto e hoje oferecem melhores condições para a população.

No entanto, essa ainda não é a realidade em toda a região do Cariri. Em alguns municípios a fumaça ainda invade as casas e sobrecarrega o Sistema Único de Saúde (SUS) com emergências respiratórias que poderiam ser evitadas. Dados do último relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa), publicado em dezembro de 2025, revelam que dos 29 municípios que compõem a região, 20 ainda utilizam lixões, enquanto apenas dois contam com a estrutura adequada de aterros sanitários.

A solução estrutural
A virada de chave para a saúde pública passa pela infraestrutura. Para que um município consiga desativar um lixão definitivamente, ele precisa ter para onde enviar, de forma segura, os resíduos gerados. É exatamente para fazer esse ciclo funcionar que a Regenera Cariri irá atuar em conjunto com o Consórcio de Manejo de Resíduos Sólidos da Região do Cariri (Comares Cariri).

Ao assumir a responsabilidade pelo tratamento, recuperação e destinação final dos resíduos de nove cidades do  consórcio, a Regenera fornecerá a estrutura tecnológica necessária para que o material coletado seja processado de forma sustentável. Mais do que operar um aterro, a concessionária foca no reaproveitamento dos resíduos de forma segura e na valorização dos catadores de material reciclável, oferecendo dignidade através de infraestrutura de trabalho adequada com a Central Municipal de Reciclagem (CMR). Assim, toneladas de resíduos, que antes seriam potenciais combustíveis para fumaça tóxica, terão destinação correta e segura, proporcionando proteção do solo tão valioso que a Região do Cariri possui.

“A saúde de uma cidade começa no momento em que garantimos um destino correto para o que foi descartado", destaca Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri. "Nosso papel é viabilizar o fim dos lixões. Ao darmos a destinação adequada aos resíduos por meio da nossa estrutura, permitimos que os municípios do Comares Cariri encerrem essas áreas irregulares e garantam que a fumaça tóxica não afete mais a saúde das pessoas”, disse a gerente.

Sobre a Regenera Cariri
A Regenera Cariri será responsável pela gestão e tratamento dos resíduos sólidos urbanos em nove cidades da região. As prefeituras de cada município seguirão responsáveis pela coleta de resíduos. A gestão correta dos resíduos  contribui para a preservação ambiental, em especial das fontes de águas subterrâneas; além de ampliar o potencial de geração de renda dos catadores, que poderão ter, ainda, melhores condições de saúde e segurança na atividade.

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