Uma vida à base de esperança. Há um ano, após perder a infância e a adolescência lutando contra doenças associadas ao pulmão, Sara Souza Sales, de 19 anos, recebeu a impactante notícia de que precisará de um novo órgão para viver. Com a expectativa de vida de apenas três anos, imediatamente entrou na fila do transplante. Assim como a jovem, muitos no Estado são movidos pelos sonhos de continuar vivendo a partir da doação de um órgão. São, atualmente, 1.112 pessoas nesta espera, de acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
Para Sara, a luta teve início aos 6 anos, quando foi diagnosticada, após nove meses de internação no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), com pneumonia por hipersensibilidade, causada pelo fungo do pombo. "De lá para cá, eu venho lutando, só que dos 13 para os 14 anos, a doença associou-se à fibrose pulmonar, que foi quando eu tive uma piora considerável", explica.
Ao atingir a maioridade, diz ela, passou a ser atendida pelo Hospital de Messejana, por onde ingressou na fila do transplante, em que espera até hoje. "Na hora, me deu muito medo, mas quando conheci a equipe, logo me senti em casa, em boas mãos. Ela é supercompetente e amiga e eu percebi que o difícil não é entrar na fila, e sim o órgão chegar. Muitas vezes, ele existe, mas está comprometido ou a família decide pela não doação. Fico triste, mas procuro entender. A doação faz um bem tão grande para outra pessoa, é uma nova história, um sonho que você vai ajudar a realizar", comenta.
Após conseguir realizar seu maior objetivo, o transplante, Sara quer dar seguimento a vários sonhos de vida, como estudar, viajar, e até coisas simples do dia a dia. "Hoje, estou ruim, o cansaço está pior, não consigo comer, escovar os dentes e nem tomar banho sozinha. Falar é difícil e, às vezes, preciso de cadeira de rodas. Quando ficar boa, quero fazer tudo o que sempre quis e nunca pude. A primeira coisa será 'dar uma carreira'. Desde os 6 anos, tenho vontade de correr e não consigo", planeja.
Transplantes
O Ceará tem se mantido como referência na realização de transplantes no Brasil. Neste ano, até o dia 15 de setembro, foram 951 procedimentos realizados, conforme a Sesa. Em 2014, 1.399 transplantes foram concretizados. Atualmente, das 1.112 pessoas à espera de um órgão no Ceará, mais da metade, 565, precisa de uma nova córnea.
Após 14 tentativas sem sucesso de ter, também, um novo pulmão, Estela Gomes de Lima, 37, segue na espera. Na fila há 2 anos, a dona de casa precisou se mudar de Recife para a capital cearense, uma vez que Pernambuco não faz o transplante do referido órgão. "Deixei meu marido e filha e estou morando aqui com minha mãe", ressalta.
Tendo presenciado pessoas que perderam a batalha contra o tempo, a dona de casa teme e pede mais conscientização para a questão da doação de órgãos. "É difícil a gente se colocar no lugar de uma pessoa que perde um ente querido, mas temos que ver que morrendo, pelo menos um pedacinho dela continuará vivo e vai trazer muitas alegrias para quem está na fila", diz.
Importante aliada nessa conscientização, a Campanha Doe de Coração, realizada desde 2003 pela Fundação Edson Queiroz, vem levantando a bandeira em prol da doação de órgãos e tecidos. A iniciativa, que se tornou referência no País, inclusive com reconhecimento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), contribui para a doação voluntária no Ceará. Tradicionalmente no mês de setembro, o movimento busca sensibilizar a sociedade através dos meios de comunicação, atingindo diversos segmentos, em especial a rede de saúde pública e privada, além de grandes agentes, com anúncios em jornal, inserções em TV aberta e fechada e distribuição de camisas.
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