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| Foto: Pâmela Queiroz |
O filme Verbo Ser, da cineasta cearense Nívia Uchôa, foi premiado na 2ª edição do Festival Internacional de Cinema JhaJha, realizado na Índia. A produção ganhou nas categorias de ‘Melhor diretor (a)’ e ‘Melhor filme documentário’. O evento contou com a inscrição de mais de 450 filmes de 44 países.
A obra retrata, por meio de depoimentos pessoais, a violência contra as mulheres no Cariri, região do Centro-Sul do Ceará. O documentário reúne relatos de ativistas de movimentos de mulheres, organizações da sociedade civil, jornalistas, escritoras, mulheres trans e vítimas de violência, que compartilham suas lutas diárias para enfrentar essa realidade.
Além das histórias, o filme mostra como essas mulheres, mesmo diante de desafios sistêmicos, ressignificam suas trajetórias e identidades. Para Nívia Uchôa, uma das principais mensagens da produção é o empoderamento, a memória e a resistência.
“O filme procura atravessar o silêncio, escutar aquilo que muitas vezes não é dito. E eu entendo que olhar para essas estruturas que sustentam essa violência é ao mesmo tempo procurar encontrar nessas mulheres a força que nasce da resistência, da resiliência dessas mulheres, dessas organizações, dessas memórias e de toda essa capacidade que essas mulheres têm de transformar aquilo que parece impossível de mudar”, afirma a cineasta.
O documentário também questiona o papel das mulheres na sociedade e propõe uma reflexão sobre as dinâmicas de poder e a importância da luta contínua pela igualdade de gênero. Além da vitória nas categorias, a cineasta aponta que o principal prêmio é levar o debate proposto na obra para outras regiões do mundo.
“Espero que Verbo Ser seja mais do que um filme sobre violência, que seja uma experiência de escuta, que provoque perguntas, encontros, também que provoque reflexões e, sobretudo, que traga mais movimento a essas mulheres que estão na luta e mulheres também que possam vir, possam seguir juntas com a gente. Porque falar sobre essa violência é necessário, mas imaginar e construir um mundo onde as mulheres possam viver plenamente, com liberdade, dignidade, sem medo, isso é muito urgente”, destaca Uchôa.
O roteiro é assinado por Lívia Agra, Pamela Queiroz e pela própria diretora. A peça audiovisual conta com a participação de importantes vozes do feminismo no Cariri, como Verônica Carvalho, Valéria Carvalho, Claudia Rejane Pinheiro, Verônica Isidório, Mara Guedes, Célia Rodrigues, Brenda Vlazack, Zuleide Queiroz e Maria Raiane Felix Bezerra.
O longa-metragem foi construído a partir do XIV Edital de Cinema e Vídeo - Produção da Secult Ceará.
Sobre a diretora
Nívia Uchôa é cineasta, fotógrafa, produtora cinematográfica, licenciada em Geografia pela URCA (1998), com atuação profissional no audiovisual desde 1993. Fundadora da Poesia da Luz LTDA, possui experiência na produção e realização de obras de documentário e ficção, participando de diferentes etapas da cadeia produtiva audiovisual, do desenvolvimento e pesquisa à produção, filmagem e pós-produção.
Sua trajetória reúne a realização de longas e curtas-metragens, o desenvolvimento de projetos autorais e documentais e a atuação em diferentes etapas da produção audiovisual. Entre seus principais trabalhos estão o longa-metragem Tocar o Tempo, em pós-produção, e Verbo Ser, além dos curtas Indígenas Kariri, Guardiãs da Mãe Dodô, Água pra que te quero!, Quero viver igual a um beija-flor!, Tavesthriller e Catadores de Pequi, além de Rio Sagrado, em realização. Sua experiência abrange direção, roteiro, pesquisa, fotografia e formação audiovisual. É também idealizadora do FotoKariri, festival de fotografia.

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