domingo, 20 de outubro de 2019

Comerciante afetado por desabamento em Fortaleza ganha ajuda de voluntários para reabrir mercado


O comerciante chegou a entrar no perímetro isolado para retirar
os documentos dos escombros. (Foto: Thiago Gadelha)
Uma das pessoas afetadas pelo desabamento do Edifício Andrea, que aconteceu na terça (15), o comerciante João André Uchôa Gomes tem recebido ajuda de voluntários para retomar a vida após os acontecimentos da última semana. Ele trabalhava há cinco anos no Mercadinho Bom Jesus, que foi atingido pelos destroços do desabamento, e a partir desta segunda-feira (21), vai reiniciar as atividades comerciais em um prédio na mesma rua, cedido gratuitamente por um mês, até que ele consiga se organizar financeiramente.

O desabamento do Edifício Andrea deixou 9 pessoas mortas. Outras 7 pessoas foram resgatadas com vida. No sábado (19), o Corpo de Bombeiros encerrou as buscas por sobreviventes, quando foi resgatado o último corpo que estava nos escombros, o da síndica Maria das Graças Rodrigues, 70 anos. Após o fim dos trabalhos, os socorristas do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Samu prestaram uma homenagem aos mortos na tragédia.

“Antes de eu começar a trabalhar ali, eu já tinha contato com essa pessoa que vai me ajudar agora com esse ponto, porque eu cogitei abrir o meu negócio lá. Aí depois que isso aconteceu, eu fui atrás e ela disse que ia me ajudar”, conta André. Além do aluguel abonado, o comerciante também recebeu doações de água e demais materiais de consumo com os quais já trabalhava.

O funcionário público Daniel Serpa, um dos voluntários que está desde terça-feira (15) auxiliando nesse processo, afirma que 50% das doações da sociedade recebidas no ponto de apoio montado próximo ao desabamento foram direcionadas para André. “Os outros 50% nós estamos vendo com as demais famílias afetadas. Algumas querem, outras não”, explica ele.

Documentos recuperados
Na manhã deste domingo (20), o comerciante chegou a entrar no perímetro isolado para retirada dos escombros, e, acompanhado pela esposa e por alguns trabalhadores da Defesa Civil, conseguiu recuperar parte dos documentos que ficaram no Mercadinho Bom Jesus. “Peguei duas carteiras de trabalho, identidade, CPF, documento da moto e umas roupas. Mas tá tudo quebrado, tem só a parede de cima, que pode ‘arrear’ a qualquer hora”, observa.

André ficou por cerca de 30 minutos no local. “Tava correndo risco, por isso não deixaram a gente ficar muito tempo”, revela. Um representante da Defesa Civil que estava no ambiente no momento da retirada afirma, porém, que o comerciante e a esposa “estavam seguros”, apenas orientando o motorista da retroescavadeira a trazer os documentos junto aos escombros.

No dia da tragédia, ele viu o “prédio quebrando ao meio”. “Tava dentro do mercadinho. Aí quando eu vi, escapei por cima, por uma janela, e saí pelas telhas aqui na outra rua do lado. Foi muito rápido, Deus que me deu força pra subir para o segundo andar do comércio e sair por cima, pela janelinha que eu fiz. A minha sorte foi isso, se não, não tinha como escapar”, recorda.

Visivelmente abalado com a situação, André encontra na solidariedade de amigos e desconhecidos forças para continuar. “Agora é pagar essas contas, que todo mundo têm todos os meses, e continuar a vida, se Deus quiser”, conclui o comerciante.         G1 CE

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