A
igualdade entre homens e mulheres ainda não é respeitada em muitos aspectos no
País. No âmbito salarial, inclusive, o Senado aprovou na semana passada projeto
de lei que acrescenta à Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) uma multa às
empresas que não pagarem salários iguais para homens e mulheres que desempenhem
a mesma função e a mesma atividade. O texto segue para a Câmara dos
Deputados.
No
Ceará, a disparidade média entre salários de homens e de mulheres nos mesmos
cargos é de 12,5%, segundo levantamento realizado pela plataforma de
inteligência Quero Bolsa a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged) de 2018, desenvolvido pelo Governo Federal. A pesquisa
descartou cargos de gestão e de liderança nas empresas.
É
o segundo menor resultado
entre os estados da região Nordeste, atrás apenas de Pernambuco
(11,45%). Os estados com diferenças mais significativas foram o Maranhão, com
33,3% e a Bahia, com 29,37%. Considerando o recorte de todo o País, segundo o
levantamento, a renda média dos trabalhadores com nível superior foi de R$
3.756,84 para homens e R$ 2.592,65 para mulheres, uma vantagem de 44,9% para os
profissionais do sexo masculino.
Profissões
A
plataforma mostra ainda que, apenas em 90 profissões, as mulheres ganhavam mais
que os homens, com destaque para as áreas de Saúde e de Educação. No Ceará, a profissão
com maior diferença salarial favorável aos homens foi a de médico cirurgião
geral – enquanto os profissionais do sexo masculino recebem em média o salário
de R$5.359, as mulheres na mesma função recebem R$2.314, uma diferença de
131,56%.
“A
complexidade da economia local e do volume das contratações influencia isso.
Percebemos que alguns estados possuem culturas bastante machistas”, avalia Rui
Gonçalves, gerente de relações institucionais da plataforma sobre a amostra dos
dados na região do Nordeste.
“É
um problema sério no País inteiro. Aproveitamos essa ferramenta para fazer a
comparação entre homens e mulheres e vimos que, de 600 cursos ofertados, em 357
deles os homens ganhavam mais que as mulheres em pelo menos 5% de diferença”,
afirma o gerente do Quero Bolsa.
Nova
visão
Existem
ainda obstáculos como o receio de contratar mulheres grávidas ou mães. Estas,
na maioria dos casos, realizam jornada dupla no trabalho e em casa.
“O
mundo corporativo pode ser muito cruel com a mulher. Se os empresários
entendessem que o lucro é o meio e não o fim, o impacto positivo seria muito
maior na produção. Você teria um quadro de funcionários mais satisfeitos”,
avalia a empresária Marcela Fujiy.
Apesar
da resistência, elas mostram a coragem e lutam para serem incluídas em vagas
que antes eram ocupadas exclusivamente por homens, como serviços pesados. É o
que analisa Marta Campelo, diretora do Instituto Brasileiro de Finanças do
Ceará (Ibef).
“Em
empresas de porte menor, por exemplo, estão contratando mulheres para exercerem
funções de serviços mais pesados. Então, mesmo nessas vagas que a qualificação
é mais baixa, as mulheres estão conseguindo formalidade. E isso mostra que as
empresas hoje não têm mais receio de contratar”. Diário do Nordeste
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