A capital cearense foi escolhida pelo Instituto Butantan como cidade para receber os testes de vacinação contra dengue devido aos números elevados da doença. Desde de julho deste ano, cerca de 250 voluntários receberam uma dose única contra o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Conforme o professor Ivo Castelo Branco, coordenador do Núcleo de Medicina Tropical e pesquisador responsável pelos testes na Universidade Federal do Ceará (UFC), os colaboradores estão reagindo bem à imunização.
Vale destacar que a vacina é somente contra o vírus da dengue. Pesquisas estão sendo realizadas para as sorologias do zika e chikungunya. Segundo o Núcleo de Medicina Tropical da UFC, o objetivo é imunizar cerca de 1,2 mil fortalezenses de 2 a 59 anos. "Os pacientes serão acompanhados por cinco anos. Qualquer evento que eles venham ter, uma equipe médica para avaliar estará à disposição", afirma Ivo Castelo Branco.
O Núcleo vem imunizando cerca de 10 pacientes por cada dia de teste, contra os quatro sorotipos da dengue. Os testes em humanos da primeira vacina brasileira contra o vírus é um projeto desenvolvido pelo Instituto Butantan, que deve ter um período de avaliação em cinco anos. Após isso, a imunização poderá ter produção em massa.
Sobre os efeitos colaterais da vacina, nos pacientes em teste, o especialista avalia que não houve rejeição ou qualquer tipo de agravamento de doenças. "Houve pouquíssimos efeitos colaterais, como uma leve dor de cabeça em um percentual baixo de voluntários. Nada de importante, nem precisando tomar qualquer tipo de medicação", ressalta o médico.
Ao mesmo tempo que a vacina do Instituto Butantan é testada em Fortaleza, uma imunização francesa já é comercializada em clínicas particulares. A fórmula é pioneira no mundo e foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2015, após 20 anos de pesquisa e a comprovação de sua efetividade. Ao todo, 3,5 mil pacientes participaram do teste no País, destes 599 foram cearenses.
Iniciativa francesa
O Paraná foi o primeiro Estado das Américas a vacinar contra a dengue. Ao todo, o governo paranaense adquiriu 500 mil doses do fórmula francesa. A imunização ocorre por meio de um vírus atenuado, porém cultivado em condições adversas, de forma que ele perde a capacidade de provocar a doença. O método preventivo é feito com a estrutura do vírus da imunização da febre amarela.
A diretora médica da Sanofi Pasteur, empresa que produz a imunização, avalia que a vacina do Butantan deve atender a uma grande demanda. "Nós temos uma fábrica que produz 100 milhões de doses por ano. A produção do Instituto Butantan vai ajudar na demanda do País. O verão está chegando e os casos aumentam". Ainda segundo a médica, a vacinação ocorre muito bem nesse primeiro momento. Ao todo, 190 mil pessoas do Paraná, da rede pública e privada, já foram imunizadas.
FIQUE POR DENTRO
Como ser um voluntário para receber a dose
No Estado do Ceará, o Núcleo de Medicina Tropical da Universidade federal do Ceará (UFC) é responsável pelo acompanhamento de voluntários na faixa etária de 2 a 59 anos. Os colaboradores devem ser saudáveis e podem ou não ter sido acometidos pela dengue antes.
Para agendar inscrição, os interessados devem entrar em contato com o Núcleo. Após assinatura do protocolo, onde constam todas as informações sobre o processo de teste da vacina contra a dengue, o paciente terá um acompanhamento rigoroso por um período de cinco anos.
Os candidatos interessados em participar do processo pode entrar em contato com a equipe pelo telefone (85) 98217 0139, ou enviar e-mail para nmt.Ufc@gmail.Com
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