A chacina em que 11 pessoas foram mortas e quatro feridas, ocorrida nos bairros Curió e São Miguel, na Grande Messejana, completa um mês hoje. O governador Camilo Santana disse que espera ter respostas sobre o caso até o fim deste ano. A Controladoria Geral de Disciplina do Órgãos de Segurança e Sistema Penitenciário (CGD) pediu à Justiça Estadual mais 30 dias para concluir o inquérito sobre o caso. Porém, uma fonte do Ministério Público do Ceará (MPCE), que também participa das apurações, disse que não existem dúvidas que as mortes foram cometidas por policiais.
"As apurações continuam, no sentindo de juntar a maior quantidade de provas possíveis. São estas provas que sustentarão a denúncia que será oferecida à Justiça e a tornará mais robusta. Porém, não há nenhuma dúvida de quem são os culpados. A participação dos policiais está confirmada", disse uma fonte qualificada do MPCE.
Um servidor da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que tudo o que está sendo solicitado pela CGD para que as investigações caminhem, está sendo fornecido. Dentre o material repassado estão gravações das comunicações dos PMs nos rádios das viaturas, feitas na noite em que a sequência de execuções aconteceu e dados dos aparelhos de GPS que rastreiam os veículos.Estamos fazendo o necessário para que as coisas fiquem claras e os culpados sejam punidos, independentemente de quem sejam. Nos pediram informações sobre as viaturas caracterizadas e descaracterizadas, que estiveram na área naquela noite, e tudo foi encaminhado à CGD. Áudios dos rádios, informações do GPS das viaturas, comunicações com a Coordenadoria Integrada de Operações (Ciops). Tudo foi disponibilizado", disse.
O servidor afirmou também que não tem acesso ao andamento das investigações. "A CGD está conduzindo as investigações e emitirá um relatório conclusivo. Somente em posse do relatório a SSPDS saberá se policiais estão envolvidos. Se estiverem, pedimos que as pessoas não desacreditem da Polícia Militar enquanto Instituição. São mais de 16 mil PMs que não podem ser responsabilizados pelas atitudes, que supostamente foram cometidas por alguns", salientou.
O clima nas comunidades onde ocorreram as mortes ainda é de medo e apreensão. Patrulhas da PM são vistas na região constantemente FOTO: KID JÚNIOR
O governador Camilo Santana, disse que tem cobrado respostas sobre a chacina. "A CGD precisou de um prazo maior para ter segurança na garantia das investigações, mas estou cobrando para que ainda este ano seja apresentado o resultado. Tenho necessidade de dar essa resposta à sociedade. Em breve teremos um resultado definitivo".
O governador disse ainda, que o Estado está à disposição para atender às famílias das vítimas. "A partir do momento que tivermos os resultados, o Estado dará todo apoio aos familiares. Repito que é lamentável e inaceitável o que ocorreu. A obrigação do Estado agora é dar apoio".
Investigações
A princípio o inquérito sobre a chacina foi instaurado no dia 12 de novembro na Divisão de Homicídios (DHPP) e enviado no dia 17 para a CGD, diante da possibilidade do envolvimento de PMs. Ao todo, 82 pessoas foram ouvidas, inclusive alguns dos feridos.
A CGD informou em entrevista coletiva, concedida na manhã da última quinta-feira (10), que ainda não tinha conclusões sobre o fato. De acordo com a delegada Adriana Câmara, da Delegacia de Assuntos Internos (DAI), três linhas de investigação estavam sendo apuradas.
Segundo ela, as duas ligadas à morte e a prisão de traficantes estão enfraquecidas, enquanto fica mais forte a hipótese que a chacina tenha ocorrido em a retaliação ao assassinato do soldado Valtemberg Charles Serpa, morto em uma tentativa de assalto.
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