Salvador/Recife/ São Paulo. A Polícia Federal realizou ontem uma operação para prender quatro pessoas acusadas de desviar R$ 200 milhões das obras de transposição das águas do rio São Francisco. Na chamada Operação Vidas Secas - Sinhá Vitória, a polícia cumpriu 24 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.
O presidente da construtora OAS, Elmar Varjão, e outros três executivos da Coesa Engenharia, Barbosa Melo e Galvão Engenharia foram presos temporariamente ontem durante operação Vidas Secas da Polícia Federal, que investiga superfaturamento em obras da transposição do Rio São Francisco. Varjão, era o responsável pelo consórcio com a construtora Coesa e o grupo OAS nas obras de transposição.
No Ceará, uma pessoa foi presa, contudo, a PF não revelou a identidade e a cidade onde aconteceu a prisão.
As detenções temporárias, com prazo de cinco dias -que pode ser prorrogado-, foi um desdobramento da Operação Lava- Jato. Segundo os investigadores, os empresários utilizaram empresas de fachada para desviar pelo menos R$ 200 milhões. Os contratos investigados, até o momento, são de cerca de R$ 680 milhões.
Em entrevista coletiva na sede da PF em Pernambuco, os investigadores confirmaram que as empreiteiras utilizaram as empresas do doleiro Alberto Youssef e do operador Adir Assad para maquiar os desvios.
A PF apontou também a participação da empresa JD Consultoria, pertencente ao ex-ministro José Dirceu (PT). Todos foram alvos da Operação Lava-Jato e estão presos. "Foi constatada a transferência da Galvão Engenharia no valor de R$ 586 mil para a JD Assessoria", disse Marcelo Diniz, superintendente da PF em Pernambuco.
Transferências
Para o delegado Felipe Leal, que coordena a operação, não é possível assegurar a ilegalidade da transação. "No caso das empresas de Youssef e Adir Assad sabemos que são de fachada, o que já leva ao indício de irregularidade. A JD é uma empresa que existe. Vamos averiguar se há legalidade nesse contrato".
A prisão do dirigente da construtora aprofunda ainda mais a crise em que o grupo mergulhou, depois que seu presidente, Léo Pinheiro, foi preso e condenado pela Operação Lava-Jato a 16 anos de prisão pelo juiz federal Sergio Moro. A condenação ocorreu em agosto deste ano. O ex-presidente do grupo, um dos maiores do País, agora recorre em liberdade da condenação.
Pinheiro foi condenado sob acusação de pagar propina a diretores da Petrobras e ao PT para conseguir contratos com a estatal. Um dos interlocutores do PT junto à OAS era o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que está preso em Curitiba sob acusação de receber propina em contratos com a Petrobras.
O grupo OAS passa por recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 8,8 bilhões.
Investigação
A primeira fase da operação começou ainda em 2014, a partir de relatórios técnicos do TCU e da CGU. Os laudos apontavam indícios de superfaturamento nas obras de terraplanagem nos lotes 11 e 12 da transposição.
Nas diligências, os investigadores apreenderam computadores, mídias e documentos técnicos como mapas e boletins de medição.
Os envolvidos poderão ainda responder pelos crimes de associação criminosa, fraude na execução de contratos e lavagem de dinheiro.
Os representantes das empresas que estão envolvidas na operação da PF ainda não haviam se pronunciado sobre o assunto.
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