terça-feira, 6 de julho de 2021

Quase 2 milhões de cearenses de grupos prioritários ainda não se vacinaram contra a gripe

Foto: Marcelo Camargo

Das 3.300.313 pessoas listadas nos grupos prioritários para vacinação contra a influenza no Ceará, só 1.346.199 receberam o imunizante, até esta terça-feira (6) – uma cobertura vacinal de 40,6%, considerada baixa por autoridades e especialistas em saúde.


Os dados são Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SIPNI), do Ministério da Saúde, atualizado com informações das gestões estaduais, e podem sofrer alterações constantes.


Um dos fatores para a queda na procura pela vacina da influenza, conforme a própria Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) aponta, é o cenário epidemiológico da Covid-19. Em 2019 e 2020, a campanha contra a gripe atingiu coberturas de 94,94% e 96,98%, respectivamente.


A baixa adesão em relação a anos anteriores, então, “pode gerar uma maior exposição ao vírus no Ceará”. Assim, “é indicado que todos procurem o posto de saúde para atualizar o calendário”, alerta Kelvia Borges, orientadora da Célula de Imunização da Sesa.


Outro fator que tem feito cearenses adiarem a vacinação contra a gripe é a campanha contra a Covid: mas uma imunização não impede a outra, desde que respeitado o intervalo de 14 dias entre as doses.


14 dias é o tempo que pessoas que tomaram vacina contra a Covid devem esperar para tomar a da gripe.


Em Fortaleza, caso a dose contra o coronavírus seja agendada antes de completar 14 dias da aplicação contra a influenza, basta o cidadão aguardar e, ao fim do período, ir a qualquer posto de imunização contra a Covid, portando os documentos necessários. 


BEBÊS E CRIANÇAS EM FOCO

Renata Dias, assessora técnica de Imunização de Fortaleza, reforça que “a prioridade, no momento, é a vacina contra a Covid. Se você vai ser contemplado em breve, aguarde e, só depois, procure a da influenza”.


A gestora recomenda, ainda, que quem tomou a Coronavac como 1ª dose aguarde finalizar o esquema vacinal para, só então, buscar a vacina da gripe. “É só porque o intervalo entre as doses desse imunizante é pequeno, e é melhor não correr o risco de precisar adiar a D2”, pontua.


Apesar dos direcionamentos aos adultos, é a imunização das crianças que deve ser ainda mais priorizada neste momento, segundo Renata.


As crianças já não serão vacinadas contra a Covid, e ficarem desprotegidas também contra a influenza seria mais preocupante ainda.


A assessora da SMS reitera também que “a vacina da influenza é anual: quem tomou no ano passado já está desprotegido e deve procurar, sim, se imunizar novamente”.


“INFLUENZA TAMBÉM PODE MATAR”

A médica Vanuza Chagas, pediatra e proprietária de uma clínica privada de imunização em Fortaleza, observa que a procura pela proteção contra a influenza caiu à medida em que a campanha contra Covid-19 avançou.


“As pessoas deveriam, claro, priorizar a vacina contra a Covid. O problema é que muitas esqueceram que completar a proteção com a vacina da influenza, depois”, lamenta, alertando que a gripe “é de alto contágio, atinge todas as idades e pode levar à morte”.


Vanuza destaca ainda que, ao contrário do que ocorre com o coronavírus, “as crianças têm um papel importante na alta transmissão da influenza”. É preciso, então, que se atinja o máximo de cobertura vacinal, “sob risco de sobrecarregar o sistema de saúde”.


"É importante que a população esteja alerta: tanto a Covid como a influenza são graves e podem levar a comprometimento respiratório grave. E o início das duas pode ser muito parecido."


Fonte: Diário do Nordeste



Foto: Marcelo Camargo

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