![]() |
| Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. FOTO: Jean Messias |
O vereador Thiago Esmeraldo (PP), apresentou requerimento na Câmara Municipal solicitando o envio de ofício ao governador Camilo Santana (PT) para que seja feito um estudo visando a construção de um açude no Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, na zona rural de Crato.
O parlamentar destaca que a medida se faz necessária, visto que muitas famílias residem naquela localidade, e o reservatório contribuiria tanto para o abastecimento dos moradores, como também para o desenvolvimento econômico da região.
Ainda sobre o Caldeirão, Thiago também apresentou outro ofício destinado a Camilo Santana, onde ele reivindica ao governo do Estado o estudo para a construção do Roteiro da Fé. Trata-se de uma estrada visando fazer a ligação entre o município de Nova Olinda e a comunidade do Caldeirão, e deste último local ao Sítio Brea.
CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DO CALDEIRÃO
A seca de 1932 é lembrada, tanto na literatura como na oralidade, como uma das mais perversas que castigou o Nordeste no início do Século XX. Foi esse fenômeno de escassez de água e alimento que impulsionou o crescimento do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, comunidade liderada pelo Beato José Lourenço, que recebeu cerca de 1.700 pessoas. Lá havia fartura, riqueza espiritual e abundância de comida.
A 33Km da sede do Município de Crato, o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto fica entre os distritos de Monte Alverne e Dom Quintino. Lá, foi abrigo de centenas de flagelados da seca, devotos do Padre Cícero, que encontraram na comunidade alimentação, trabalho e refúgio espiritual. Havia oficinas de fiação, tecelagem, costura, casa de farinha, ferreiro, engenho de cana e marcenaria.
Temendo que a comunidade se tornasse um movimento messiânico, o Governo Federal, em 1937, ordenou que as Forças Armadas e a Polícia Militar do Ceará invadissem o local. Alguns moradores do Caldeirão das Santa Cruz foram mortos e os sobreviventes foram expulsos de suas terras. O beato José Lourenço e seus seguidores fugiram. Até hoje, muitos corpos não foram encontrados e não há nenhum registro oficial do número exato de vítimas.
Alguns pesquisadores não acreditam que houve massacre, apenas a expulsão dos moradores. Faltam evidências arqueológicas e antropológicas. Filhos de remanescentes negam assassinatos. O beato sequer foi preso e saiu de lá entre os moradores, como qualquer outro, sem ser reconhecido. Muitos boatos cercam o Caldeirão da Santa Cruz, antes mesmo da intervenção militar. Dizem que poderia se tornar uma nova Canudos ou o medo do Comunismo impulsionou o ataque do governo.
Hoje, o local é anualmente visitado na Romaria da Santa Cruz do Deserto, que acontece em setembro.
Com informações do Diário do Nordeste


Nenhum comentário:
Postar um comentário