As eleições municipais apresentam várias atipicidades esse ano. A pandemia configura um novo tipo de campanha com restrições e aumento do uso das redes sociais. Cada partido por imposição da lei teve que sair com chapa própria para o legislativo, o que aumenta o número de candidaturas e o desafio de eleger. No Crato, é preciso dar um tom mais avermelhado ao parlamento como forma de ampliar as vozes dos movimentos sociais e apresentar um contrapeso ao avanço das forças conservadoras, reacionárias e a manutenção dos mandatos inertes enquanto função legislativa e fiscalizadora.
A campanha eleitoral aponta um alto custo, basta ver a representação dos parlamentos brasileiros. Quem hegemonicamente são os eleitos e como conseguem se eleger? Certamente não são eleitos pelas propostas ou pelo conhecimento da função parlamentar. O potencial econômico é condizente com o potencial eleitoral na maioria das vezes, o que projeta uma conjuntura de exclusão de lideranças ligadas aos movimentos sociais e favorece um parlamento desvinculado da compreensão das bandeiras políticas dos segmentos sociais e da perspectiva de cidades democráticas.
No Crato, os partidos do campo democrático e progressista, incluindo o PT, PDT. PSB apresentam condições favoráveis de eleger suas candidaturas pela própria correlação de forças que se apresenta.
Mas é preciso dar outro tom, ampliar as forças, alinhar a luta parlamentar as trincheiras dos movimentos organizados por segmentos e por localidade, é necessário que o parlamento não seja uma ilhota, mas que se vincule as lutas mais gerais e que o exercício no legislativo seja parte dos instrumentos em defesa do direito à cidade. Precisamos de parlamentares para combatividade e ao mesmo tempo para ampliar e mediar diálogos.
Os movimentos sociais têm tarefa essencial neste processo eleitoral. Eleição, só se ganha com votos. É preciso conquistar cada voto. Não elegeremos pela barganha econômica, mas pela disposição de luta que traça nossos caminhos.
Precisamos colocar o nosso bloco na rua, vermelho e de todas as cores, carregados de propostas e com olhos de esperança. A ausência do nosso bloco é um espaço vazio para ser ocupada pelas forças alinhadas ao bolsonarismo, que de forma mais concreta se dividem em duas candidaturas ao executivo municipal e que não nos enganemos tem capilaridade nas periferias da cidade, inclusive com mecanismos semelhantes aos que elegeu Bolsonaro.
O Crato precisa experimentar candidaturas do Partido Comunista do Brasil – PCdoB e do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, mas é preciso criar as condições necessárias para eleger as candidaturas vermelhas e amarelas. Os movimentos sociais têm papel fundamental nesta disputa: não basta só votar, é preciso multiplicar o voto.
Com poucos votos não elegeremos nenhuma e nenhum parlamentar desses dois partidos de esquerda que são fundamentais para luta democrática.
*Pedagogo, presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais do Crato/CE, integrante do Coletivo Camaradas e da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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