![]() |
| Recursos são para aquisição de EPIs, reforço na alimentação de idosos e criação de vagas a pessoas desabrigadas. (Foto: Helene Santos) |
O Ceará vai receber do Governo Federal mais de R$ 23,2 milhões para o enfrentamento ao novo coronavírus. Os recursos são destinados para a estruturação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) a partir de três pilares: investimento em aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para profissionais das unidades públicas de atendimento, compra de alimentos, prioritariamente ricos em proteínas, para reforçar a alimentação de idosos e de pessoas com deficiência atendidas no Serviço de Acolhimento Institucional, e criação de vagas para pessoas que se encontram em situação de rua, desabrigadas, desalojadas ou imigradas.
Apesar de concentrar o terceiro maior número de casos confirmados de Covid-19 no País, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, o Ceará receberá valor menor que nove estados. Segundo o Ministério da Cidadania, responsável pela política de assistência social, a verba foi garantida pela Medida Provisória 953, que abriu crédito extraordinário de R$ 2,5 bilhões para o Suas.
"Os critérios utilizados consideraram a infraestrutura da política pública de assistência social disponível nos estados, municípios e Distrito Federal, a fim de considerar a capacidade de atendimento nos territórios. Essa capacidade foi aferida a partir de dados administrativos de sistemas de informações do Sistema Único de Assistência Social", justifica o Ministério da Cidadania.
Do total enviado ao Estado, a Capital, que concentra o maior número de casos, vai receber quase R$ 11 milhões. Também receberão recursos as cidades de Juazeiro do Norte (R$ 1,7 milhão), Maracanaú (R$ 832 mil), Caucaia (R$ 715,5 mil), Maranguape (R$ 667,4 mil), Sobral (R$ 625 mil), Crato (R$ 383,6 mil), Pacatuba (R$ 239,4 mil), Aquiraz (R$ 234,3 mil) e Quixeramobim (R$ 204,4 mil).
Segundo a professora do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal do Ceará (UFC), Roselane Bezerra, a medida é importante para o enfrentamento ao novo coronavírus. Ela diz que, independentemente da situação de pandemia, são necessárias iniciativas que objetivem a atenção às pessoas.
"Essas medidas são importantes porque é necessário desenvolver um país com equidade. Os governos precisam promover isso para desenvolver os nossos estados. Essa tomada de consciência é importante porque está protegendo as pessoas, principalmente as mais vulneráveis. É nesse momento de pandemia que a gente vê a fragilidade dos estados", avalia.
Questionada sobre a diferença de recursos entre os estados, ela diz que essa disparidade sempre ocorreu. "Existe sim uma incoerência na distribuição de recursos. Nós temos grandes diferenças entre as regiões. No Centro-Sul, existe um desenvolvimento muito mais forte do que aqui no Nordeste", aponta.
Recursos
De acordo com o Ministério, os recursos estão sendo processados pelo Fundo Nacional de Assistência Social e serão repassados aos estados, municípios e ao Distrito Federal que fizeram a adesão ao Termo de Aceite e Compromisso.
"Após a assinatura do termo geral de aceite e compromisso, o gestor escolherá quais os tipos de crédito ele deseja aceitar e os seus respectivos quantitativos. Os estados, municípios e o Distrito Federal terão, após o prazo para a realização do aceite, 30 dias adicionais para realizar requerimento da segunda parcela para compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), condicionada à sua real necessidade de uso, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde", explica a Pasta.
Conforme o Ministério da Cidadania, os recursos serão repassados em duas parcelas, cada uma equivalente a três meses da demanda do município para aquele componente. A primeira é repassada após o aceite e a segunda, no mês seguinte. No caso de EPI, a segunda parcela está condicionada à solicitação em requerimento específico. Nos outros casos, o repasse é automático.
Como funciona
Para serem elegíveis a receber os equipamentos de proteção, estados, municípios e Distrito Federal precisam ter em sua estrutura unidades do Suas, como Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro-Dia, Centro-Pop, Centros de Convivência e Unidades de Acolhimento.
"Com essa primeira medida de prevenção, vamos atender com EPIs cerca de 192 mil soldados da assistência social brasileira, com aventais, luvas, máscaras. A intenção é proteger essas pessoas, em um primeiro momento numa perspectiva de três meses. Dependendo da evolução da doença, esse prazo pode ser ampliado por mais três meses", afirma o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni.
Já para receberem os alimentos, o requisito é que os municípios, os estados e o DF tenham Centros-Dia ou unidades de acolhimento para idosos ou pessoas com deficiência. O referencial para cálculo do valor dos repasses será o número de pessoas atendidas em unidades de acolhimento em abril de 2020. No caso dos Centros-Dia, a referência será o Censo do Sistema Único de Assistência Social de 2019.
"Estamos dando condições de um reforço proteico, muito importante para ajudar a melhorar a condição imunológi-ca dos idosos, que são o grupo de risco mais alto dessa enfermidade. Vamos transferir aos municípios recursos para atendimentos às instituições de longa permanência dos nossos idosos e a toda estrutura institucional que protege vulneráveis em qualquer município brasileiro. Estimamos, em uma primeira análise, 290 mil pessoas que vão estar protegidas por essa ação", completa. Diário do Nordeste

Nenhum comentário:
Postar um comentário