
As áreas de seca em todo o Ceará diminuíram no mês de março, segundo dados do Monitor de Secas, serviço de monitoramento da estiagem divulgado pelo Governo Federal. O Monitor de Secas apontou, por exemplo, o desaparecimento da seca moderada no Ceará, em março, em comparação com fevereiro.
Segundo o estudo, em fevereiro, o Ceará apresentava dois tipos de seca. A fraca e a moderada. A seca moderada preenchia metade do território cearense. Iniciava na Região Central e invadia municípios das Regiões Centro-Sul, Sertão dos Inhamuns e Cariri. Também em fevereiro registrava-se uma pequena faixa de seca fraca.
O mês de março apontou o desaparecimento total da seca moderada e o aumento da seca fraca e área sem seca relativa. O Monitor das Secas afirma que no Ceará, os totais mensais de chuva variaram de normal a acima da normalidade em quase todo o estado. Esta condição positiva de chuva, contribuiu para a redução da severidade da seca.
“A atenuação e até a extinção de categorias de seca mais intensa em algumas áreas estão associadas aos desvios positivos de precipitação acima de 100 mm para o mês de março”, comenta o pesquisador da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Francisco Vasconcelos Júnior.
Tipos de seca
A seca fraca, segundo o Monitor das Secas, ocasiona a diminuição do plantio e crescimento de pastagens. Os municípios pertencentes a esta faixa começam a apresentar déficits hídricos prolongados e o plantio quase não são recuperados.
A seca moderada ocasiona perda de córregos, reservatórios ou poços com níveis baixos, algumas faltas de água em desenvolvimento. A seca grave representa perda total das pastagens programadas, escassez de água e restrições de água impostas.
E a seca extrema gera grandes perdas das pastagens e a escassez de água é generaliza. E a seca excepcional, gera perda total das plantações, escassez de água nos reservatórios, córregos e poços de água, criando situações de emergência.
Cenário hídrico
Apesar dos dados positivos, em estados como o Ceará, onde 38,84% do território está sem seca relativa, o cenário hídrico ainda é preocupante. Dos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Funceme), 57 estão com capacidade abaixo dos 30%. A boa notícia é que os principais reservatórios do estado recebem água no último bimestre.
“Nos meses de fevereiro e março as precipitações aconteceram de forma mais regulares, quando comparado com o mês de janeiro. A distribuição espacial e temporal das precipitações contribuíram para a gradual redução no nível de severidade da seca em todo o território cearense. Um exemplo foi a alta no nível de água armazenada nos dois maiores reservatórios do Ceará, Castanhão e Orós”, explica o geólogo da Gerência de Pesquisas e Estudos em Recursos Hídricos da Funceme, Gilberto Mobus. Com capacidade para 6,7 bilhões de metros cúbicos d’água, o açude Castanhão iniciou o ano com pouco menos de 2,5% de água armazenada. Embora a atual condição não seja confortável, hoje o reservatório está com aproximadamente 13% de água armazenada.
Sobre o Monitor O Monitor de Secas promove o monitoramento regular e periódico da situação da seca, por meio do qual é possível acompanhar sua evolução, classificando-a segundo o grau de severidade dos impactos observados. O projeto é coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA), com o apoio da Funceme, e desenvolvido conjuntamente com diversas instituições estaduais e federais ligadas às áreas de clima e recursos hídricos. G1 CE
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