Ao
acompanhar as discussões e votações que definem os rumos do País em sua mais
importante casa legislativa, muitas vezes não se pensa na estrutura que dá
sustentação à atividade dos 81 senadores que, por essência, devem representar
com equidade os 26 estados e o Distrito Federal. Mas é no numeroso corpo de servidores
que surge grandes discrepâncias no Senado Federal, e, pelo menos nesse
contexto, o Ceará dá exemplo aos demais entes federativos. É a segunda bancada
que menos gasta com assessores, atrás apenas do Rio Grande do Sul.
Em
levantamento feito pela plataforma Ranking dos Políticos, os senadores
cearenses Cid Gomes (PDT), Tasso Jereissati (PSDB) e Luís Eduardo Girão
(Podemos) aparecem apenas em 69º, 71º e 72º, respectivamente, na lista de
parlamentares que mais gastam com assessores na Casa. Juntos, Cid, que tem 18
assessores, Tasso, que mantém igual número, e Girão, que tem apenas 15, gastam
R$ 821.252 por mês com chefes e subchefes de gabinete, assessores e assistentes
parlamentares, assistentes técnicos, motoristas etc. Os senadores gaúchos Paulo
Paim (PT), Luiz Carlos Heinze (PP) e Lasier Martins (Podemos)gastam R$ 802.599.
"Temos
que dar o exemplo, a partir de nós, com o dinheiro público. Ainda mais em um
momento em que todo mundo está passando por sacrifícios. São 13 milhões de
desempregados, reforma da Previdência. Eu acho que tem muita mordomia
ainda", afirma Eduardo Girão, que pautou a campanha no discurso de
renovação e moralidade pública e, no início do mandato, abriu mão de diversos
benefícios porque isso "aproxima a classe política do povo".
O
valor gasto pelos senadores cearenses é 31% menor que a média das bancadas
estaduais e representa menos da metade dos recursos gastos pelos senadores de
Alagoas.
Somados,
Renan Calheiros (MDB), Fernando Collor (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB) gastam R$
1.653.316 por mês apenas com assessores. São 152. Só Collor tem 67.
O
Senado brasileiro mantém hoje cerca de 3 mil assessores, que custam, por mês,
mais de R$ 32 milhões aos cofres públicos, o que é considerado um exagero. O
cientista político Cleyton Monte, por exemplo, lamenta que as propostas de
reforma administrativa em discussão não atacam os reais privilegiados.
"Existe
uma interpretação no Brasil de que seu maior problema reside no tamanho do
funcionalismo público, mas não há nenhum tipo de controle sobre nomeação,
perfil de nomeados. O Senado e a Câmara não têm um limite de assessores nem um
teto para o pagamento desses servidores, o que é um absurdo", critica.
Maiores
gastos mensais
Izalci
Lucas (PSDB/DF): R$ 736.959 / 86 assessores
Renan
Calheiros (MDB/AL): R$ 693.569 / 51 assessores
Roberto
Rocha (PSDB/MA): R$ 685.760 / 52 assessores
Eduardo
Gomes (MDB/TO): R$ 648.987 / 59 assessores
Nelsinho
Trad (PSD/MS): R$ 596.429 / 62 assessores
Fernando
Collor (PROS/AL): R$ 583.450 / 67 assessores
Mailza
Gomes (PP/AC) R$ 553.296 / 62 assessores
Lucas
Barreto (PSD/AP): R$ 549.835 / 66 assessores
Telmário
Mota (PROS/RR): R$ 526.750/ 50 assessores
Angelo
Coronel (PSD/BA): R$ 507.685 / 39 assessores Diário do Nordeste
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