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| (Foto: Antônio Rodrigues) |
Por
quase dois séculos, o discurso de "combate à seca" foi política no
Sertão nordestino. Os longos períodos de estiagem representavam pouca produção
no campo. A partir das políticas de convivência com o Semiárido, um novo olhar
transformou o chão que, por muitos anos, foi visto como lugar de pobreza. É
nessa lógica que dois projetos da Faculdade de Tecnologia do Cariri (Fatec), em
Juazeiro do Norte, objetivam aproveitar ao máximo e por um longo período frutos
nativos e comuns da região. Além disso, a palma forrageira, geralmente
utilizada na alimentação animal, é vista como alternativa saborosa e nutritiva
para o consumo humano.
O
professor Erlânio Oliveira, do curso de Tecnologia de Alimentos, que coordena
um projeto de extração de óleo e farinha do pequi, babaçu e macaúba, explica
que quase tudo destes frutos é aproveitado. "Da polpa, a gente extrai o
óleo. A partir do resíduo que resta, usa para produzir farinhas. Dela, poderá trabalhar
algum produto alimentício", explica. Com isso, foram criadas receitas de
bolos e biscoitos que já passam por análise sensorial, ou seja, foram provadas
pelas pessoas.
Cada
farinha determina o tipo de receita que pode ser feita. Da macaúba, por exemplo,
por causa da coloração, é ideal para ser usada na fabricação de pães. Já com a
amêndoa da macaúba pode ser utilizada na fabricação de biscoitos. "A
partir da obtenção da farinha, abre os horizontes para os produtos",
acrescenta Erlânio. O professor ressalta que a composição feita com frutos
nativos possui uma variedade nutricional maior que a farinha de trigo,
utilizada convencionalmente.
Além da safra
Ampliar
a utilização destes frutos para o ano inteiro é uma das propostas do projeto.
"A gente levantou estudos e percebeu muitos desperdícios. Não tem muita
exploração. O pequi e o babaçu, por exemplo, são mais consumidos nas safras. A
gente gostaria que perdurasse por mais tempo", explica a estudante da
Fatec, Raquel Vicente Paulo.
Agora,
o projeto tem duas etapas: criar um plano de negócio para tentar colocar alguns
produtos no mercado; e visitar comunidades da Chapada do Araripe, onde os
frutos são colhidos, para ensinar como funciona o processamento destes
alimentos. "Como é simples, dá para as pessoas implementarem e conseguirem
uma renda extra", completa Erlânio Oliveira.
Adaptação
Outra
iniciativa do mesmo curso na Fatec, desenvolvida desde maio, está utilizando a
polpa da palma forrageira em receitas de sorvetes e mousse. "Uma planta
comum na região e muito rica em nutrientes, a gente escolheu a palma porque ela
é utilizada, simplesmente, para o consumo animal. O objetivo é introduzi-la na
alimentação humana", explica a professora Cícera Gomes, que coordena o
outro projeto. Rica em vitaminas A e C, e minerais como fósforo, ferro e
cálcio, além de proteínas, a palma agrega um valor nutritivo às duas sobremesas
comuns do cotidiano. As receitas são bem simples. Diário do Nordeste

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