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| (Foto: Mauri Melo) |
O
ex-governador Ciro Gomes (PDT) erra ao adotar uma estratégia de ataques
frequentes ao PT. A opinião é do governador do Ceará, Camilo Santana (PT),
aliado dos Ferreira Gomes no Estado. Segundo Santana, Ciro erra porque ninguém
consegue construir uma candidatura viável de centro-esquerda sem apoio do PT.
Uma
das primeiras lideranças do partido a defender uma autocrítica em relação a
erros cometidos na economia e na política, o governador reiterou a posição em
entrevista ao jornal O Estado
de S. Paulo e disse que o PT também adota uma tática errada na
forma como faz oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro.
Segundo
ele, o partido deveria ter defendido uma proposta de reforma da Previdência que
defendesse os mais pobres em vez de apenas se colocar contra o projeto do
governo. Abaixo, os principais trechos da entrevista concedida na segunda-feira
passada, dia 14, antes do desabamento de um prédio de sete andares em
Fortaleza.
Os
sucessivos ataques de Ciro ao PT podem causar algum abalo na relação entre o
senhor e os Ferreira Gomes?
Abalo
na relação deles com o PT existe, né? Na nossa relação, não. Temos uma relação
muito sólida com base em um projeto no qual a gente acredita para nosso Estado.
Posso ter divergências quanto ao comportamento do Ciro, acho que a estratégia
dele está errada, mas respeito a posição.
Por que
a estratégia de Ciro está errada?
Porque
acho que nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não
tiver o PT como aliado. O PT demonstrou uma força extraordinária na última
eleição. Fernando Haddad teve 47 milhões de votos, o partido elegeu a maior
bancada federal, a maioria dos governadores. Tem uma base social muito forte. O
Ciro sempre foi muito aliado, Lula não pode mais ser candidato. Defendi lá
atrás que Ciro fosse candidato, defendi a chapa Ciro-Haddad, fui um dos
primeiros. Era o momento de se unir em torno de um projeto.
Pesquisas
mostram que o PT é importante, mas dificulta as candidaturas no segundo turno.
O que o PT tem de fazer para tirar esse peso?
Defendi
isso ainda no segundo turno (da eleição presidencial de 2018). Achava que
Haddad deveria se apresentar para o Brasil de forma diferente. E isso é minha
opinião pessoal. Deveria ter ido para a televisão e ter reconhecido que o PT
cometeu erros na economia, na política. E como professor, que acredita na
educação, se propor a unir o Brasil. Existia uma polarização muito grande.
O senhor
já defendeu que o PT faça uma autocrítica.
Acho
que um dos erros que o PT tem cometido é não fazer uma autocrítica, não se
reinventar, não se renovar. Sou até criticado internamente por essa visão. Mas
como quero conquistar o Brasil? Precisa ter uma mudança, principalmente na
região Sul-Sudeste, onde se criou um antipetismo muito forte. O PT deve se
renovar, se reinventar em alguns aspectos para conquistar essa parcela da
população que se decepcionou, que não acredita mais. O partido deve mostrar que
é possível, que tem coisas muito boas e importantes que já fez e pode fazer.
O que
impede o PT de fazer isso? O senhor não é o único que tem essa opinião.
Talvez
um centralismo muito forte. É difícil diagnosticar esse comportamento ou essa
tendência. O partido não deve ter o papel de fazer oposição por oposição. Eu,
no meu Estado, gosto quando fazem oposição construtiva. Faz com que a gente
possa abrir os olhos, ter outra visão. Uma oposição rasteira, politiqueira,
isso está fora.
O PT
deve ter outra postura em relação ao governo Bolsonaro?
O
PT não pode fazer oposição só por oposição ao Bolsonaro, precisa mostrar os
caminhos importantes para o crescimento, para a desigualdade social no Brasil.
Por isso que tive aquele comportamento na reforma da Previdência. Não só meu,
mas do Rui (Costa, governador da Bahia), do Wellington (Dias, governador do
Piauí). É inegável a necessidade de uma reforma. Eu fiz em 2016 no meu Estado,
só não mudei a idade porque Constituição não permite. Mas esse é um problema
que os Estados e o País precisam enfrentar. Nosso papel é defender uma
previdência que não prejudique os mais pobres, o rural, que não tenha
capitalização, defender a importância de fazer uma reforma e tirar privilégios
sem prejudicar a camada mais pobre e mais sofrida da população. Era isso que eu
acreditava que o PT devia defender.
O senhor
acha que a esquerda perdeu a oportunidade de defender essa bandeira do fim dos
privilégios?
Eu
acho. Dizer: nós somos a favor da reforma, mas uma que não prejudique (os mais
pobres). Essa era a bandeira. Eu, apesar de ter sido vencido, defendi esse
caminho.
Qual o
papel que o ex-presidente Lula deve desempenhar?
Sem
dúvida alguma considero o Lula a maior liderança política do Brasil. Tem um
poder de influência muito grande, eleitoralmente. Considero injusta a prisão
dele. A decisão sobre a liberdade dele ou não, influenciará muito no rumo
político do Brasil, não tenho dúvida disso.
Bolsonaro
teve o pior desempenho eleitoral no Nordeste, mas ele está fazendo muitas ações
para tentar ganhar a simpatia da população. Está dando resultado?
Cientificamente,
pelo menos no meu Estado, não.
Como
está a relação do senhor com o governo?
Parto
do princípio de que ele é o presidente de todos os brasileiros e eu o
governador de todos os cearenses. Independentemente de quem seja o presidente,
nossa relação tem que ser respeitosa, institucional, e tenho buscado. Vou nos
ministérios, procuro minha bancada de deputados, senadores. O que eu puder
fazer em termos de interlocução, de buscar recursos, de ações para o Estado,
irei fazer, estou fazendo e continuarei fazendo.
O senhor
sente alguma reciprocidade?
O
governo tem colocado claramente a falta de recursos, as dificuldades, o
contingenciamento. Das vezes que eu procurei, no episódio de janeiro (quando
houve rebeliões em presídios no Ceará), sempre tenho tido conversas com o
ministro (Sergio) Moro, com o ministro Paulo Guedes, eles têm nos recebido.
Na
última crise de segurança houve ajuda material?
Eu
apenas pedi vagas no sistema prisional federal para transferir algumas pessoas,
mas a relação foi cordial, por telefone, se colocando à disposição. Liberaram
as vagas.
Quais
medidas o senhor está tomando na área da Segurança Pública?
Implantamos
um sistema de reconhecimento das placas dos carros usados em crimes. É uma
tecnologia totalmente desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará. Agora
estamos já estamos entrando no reconhecimento facial.
As
informações são do jornal O Estado
de S. Paulo.

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