A
proposta de ajuste
regulatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre
a geração distribuída poderá reduzir em mais de 60% a
economia do cidadão que investe na produção da própria energia domiciliar. Além
disso, a previsão é de que o retorno financeiro do investimento inicial
passe de 4 para até 6 anos, dependendo do porte
da usina instalada, segundos especialistas consultados.
"Teremos
um aumento do custo da energia solar da geração distribuída. E, com essa
taxação, o consumidor termina de pagar o empreendimento com diferença de gasto
menor. Você fica em um sacrifício grande para pagar o investimento, mas acaba
tendo um retorno menor. Com certeza teremos uma queda nos investimentos de
energia solar, mesmo que estejamos crescendo agora. E dependendo do tamanho, a
pessoa pode demorar mais até 2 anos para recuperar os gastos", disse João
Mamede Filho, engenheiro eletricista e consultor em energia.
O
cálculo é baseado na estimativa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)
sobre a redução da economia do consumidor, que após a taxação, pode chegar a
até 60%.
“A
proposta apresentada pela Aneel surpreendeu o setor e está visivelmente
desbalanceado e desfavorável para a geração distribuída no Brasil. A agência desconsiderou
diversos benefícios da geração distribuída solar fotovoltaica aos consumidores
e à sociedade brasileira, no setor elétrico, na economia e ao meio ambiente,
dentre eles a postergação de investimentos em transmissão e distribuição de
eletricidade, o alívio nas redes pelo efeito vizinhança, a geração de empregos,
a diversificação da matriz elétrica e a redução de emissões de gases de efeito
estufa e poluentes, entre diversos outros”, explicou o CEO da Absolar, Rodrigo
Sauaia.
Perfil local
Atualmente,
o Ceará 3.161 usinas de geração distribuída por geração solar fotovoltaica, com
potência instalada 49.917,33 quilowatts (kW). Já de energia eólica, o Estado
dispõe de apenas 25 usinas, com uma potência de 10.085,46 kW. Os dados da
Aneel.
A
Agência ainda indicou Fortaleza como o principal município cearense no índice
de geração distribuída, com 1.104 usinas instaladas e com potência de 16.254,16
kW. Eusébio aparece logo em seguida, com apenas 275 usinas e 2.305,38 kW.
Considerando apenas a potência instalada, Aquiraz aparece como segunda cidade o
ranking no Ceará, com 14.054,33 kW.
Modelo
Mamede
Filho reconheceu que a taxação é justa, referente aos custos de operação das
concessionárias de energia ao repassar a energia aos consumidores. Contudo, o
engenheiro afirma que o grande problema está no modelo aplicado pela Aneel, que
impõe uma taxa muito alta e não gradual, podendo frustrar os
investidores.
"A
energia solar é um mercado que emprega 40 mil pessoas, e a tendência era
crescer ainda mais, mas podemos ter um choque, com pessoas pensando em
desistir. Foi muito fora da hora, a decisão da Aneel de anunciar essa decisão.
O Brasil deveria primeiro consolidar esse tipo de energia, para então começar a
taxar. Essa taxação tem uma razão de ser, pelas concessionárias, mas não
poderia ser tão radical", disse Mamede. Diário do Nordeste
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