De
iniciativa do deputado Ricardo Izar (PP-SP), o Projeto de Lei da Câmara n° 27,
já aprovado pelo Senado nesta quarta-feira, 7, garante que os animais não
poderão mais ser tratados como “coisas” ou “objetos”, Eles serão reconhecidos
como seres sencientes, ou seja, dotados de natureza biológica e emocional e
passíveis de sofrimento. Modificada no Senado, a matéria retorna para a Câmara,
onde a tramitação continua.
Além
dessa mudança, o texto também acrescenta aparato à Lei dos
Crimes Ambientais. A medida determina que os animais também não
podem mais ser considerados bens móveis para fins do Código Civil. Essas
decisões também fortalecem a defesa jurídica em casos de maus tratos, pois eles
passam a ser considerados seres passíveis de sofrimento e sentir dor.
O
relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente (CMA), senador Randolfe
Rodrigues (Rede-AP), garantiu que a nova lei não afetará hábitos culturais ou
de alimentação. Segundo o senador, não há possibilidade “de pensarmos na
construção humana se a humanidade não tiver a capacidade de ter uma convivência
pacífica com as outras espécies”.
Para
Randolfe, a aprovação do PL encontra obstáculo apenas nas “rinhas de galo”. Em
defesa, ele disse que o projeto não compromete o comércio e a criação de
animais. “É um avanço civilizacional. A legislação só estará reconhecendo o que
todos já sabem: que os animais que temos em casa sentem dor e emoções. Um
animal deixa de ser tratado como uma caneta ou um copo e passa a ser tratado
como ser senciente”, destacou o senador.
Em
seu projeto de lei, Randolfe acrescentou um texto em que ressalva da medida
animais empregados na produção agropecuária, em pesquisa científica, e os que
participam de manifestações culturais registradas como bem de natureza
imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, como é o caso da
vaquejada. As emendas utilizadas por Randolfe foram feitas pelos senadores
Rodrigo Cunha (PSDB-AL) e Otto Alencar (PSD-BA).
Artistas
e ativistas da causa dos animais estiveram no Senado para acompanhar a votação.
A ativista Luisa Mell e as atrizes Paula Burlamaqui e Alexia Dechamps visitaram
o presidente Davi Alcolumbre, para pedir a aprovação do projeto.
O
senador Jayme Campos (DEM-MT) pediu para que o projeto fosse enviado à Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), para um debate mais profundo sobre o texto e
para uma maior segurança jurídica. Segundo ele, da forma como está, o projeto
pode “causar sérios problemas”.Telmário Mota (Pros-RR) disse que a matéria pode
interferir na cadeia produtiva agrícola e chegar a proibir o abate de animais
para alimentação. A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) também apresentou um
requerimento para a Comissão de Agricultura (CRA) analisar a matéria.
Submetidos a votação, porém, os requerimentos foram rejeitados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário