sábado, 17 de agosto de 2019

Monja enclausurada em mosteiro ajuda a produzir 20 mil hóstias por dia em Fortaleza

Irmã Maria Letícia é uma das 18 religiosas que
vivem no Mosteiro da Imaculada Conceição e
São José. (Foto: Helene Santos)

A idade é pouca, mas a tarefa é gigante. Irmã Maria Letícia é uma das 18 religiosas que vivem no Mosteiro da Imaculada Conceição e São José, em Fortaleza, numa rotina de orações e contemplação. Contudo, ela e outras quatro companheiras são responsáveis pela produção diária de cerca de 20 mil partículas - consagradas em hóstias durante a missa católica - que abastecem paróquias da Capital e de outros municípios cearenses, como Sobral.

Aos 24 anos, irmã Letícia já está há três na clausura, característica da Ordem. Visitas só estão liberadas em três ocasiões: Domingo de Páscoa, Natal e no dia 17 de agosto, quando se celebra Santa Beatriz, fundadora da congregação. Foi nesta última ocasião que ela conversou com a reportagem do G1.

Maria Letícia nasceu no Rio Grande do Norte e conta que sempre trilhou caminho na oração, tendo decidido pela vida religiosa aos 15 anos. Interessada no trabalho das freiras que promovem missões ou atividades sociais com crianças, nunca pensou que iria viver “atrás das grades”, na clausura da vida contemplativa.

“Pedi a Nossa Senhora que me mostrasse um lugar onde eu pudesse melhor seguir o filho dela”, explica. Na internet, descobriu o Mosteiro de Fortaleza, onde fez uma visita nas férias de julho de 2016. No dia 6 de agosto do mesmo ano, ingressava na Ordem, deixando a família na terra natal e nem chegando a começar o quarto semestre da faculdade de Letras.

Preparação
No dia a dia da clausura, a irmã é responsável por cortar as partículas feitas apenas de trigo e água. Os ingredientes são misturados numa batedeira, e, em seguida, a massa que sai como resultado é prensada. Depois do corte, são separadas as de melhor qualidade para secarem ao sol. Por último, vem o empacotamento de mil unidades por saco. “Tem vez que o padre liga perguntando se tem 50 mil, e a gente corre pra fazer”, anima-se.

A religiosa se diz consciente da importância de seu trabalho. “No início, cheguei para a madre e disse: ‘não posso fazer hóstia porque sou pecadora’. E ela respondeu: ‘minha filha, se for por isso, ninguém é digno’. Nós fazemos com muito zelo e muito cuidado. Tudo que a gente faz, apesar da correria, é em oração”, revela.

Irmã Maria Letícia, produtora das partículas, também pede mais consciência dos católicos quanto ao sacramento da Eucaristia. “Peço que todas as pessoas que estejam comungando estejam em estado de graça. Aquelas que não estiverem, busquem um arrependimento para a confissão, porque Deus se fez carne e habitou entre nós”, completa.                      G1 CE

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