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| Fumaça decorrente de incêndios na Amazônia clareia céu na região de Humaitá, no Amazonas. (Foto: Reuters) |
A Irlanda também afirmou que vai
bloquear a implantação do pacto caso o governo brasileiro não atue para
combater os incêndios em curso na Amazônia.
“Não há nenhuma chance de votarmos a
favor se o Brasil não honrar seus compromissos ambientais”, escreveu o
primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, em comunicado divulgado no fim
da noite de quinta (22).
A França foi mais incisiva a respeito
do presidente brasileiro: "Dada a atitude do Brasil nas últimas
semanas, o presidente da República [ Emmanuel Macron] só pode constatar
que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula [do G20] de
Osaka", declarou o palácio do Eliseu.
A França disse ainda que Bolsonaro decidiu
não respeitar seus compromissos climáticos nem se comprometer com a
biodiversidade.
"Nestas circunstâncias, a França
se opõe ao acordo do Mercosul", acrescentou a presidência francesa.
Na Finlândia, o ministro da Economia,
Mika Lintila, sugeriu que a União Europeia considerasse urgentemente a
possibilidade de banir importações de carne bovina do Brasil.
A primeira-ministra do país, Antti
Rinne, foi mais evasiva: “Temos de descobrir se os europeus têm algo a oferecer
ao Brasil para ajudar a prevenir outros incêndios assim.”
O governo do Reino Unido declarou-se na
sexta “profundamente preocupado” com o aumento das queimadas e com o “impacto
da perda trágica destes habitats preciosos”, nas palavras de uma porta-voz.
Firmado no fim de junho após 20 anos de
negociações, o termo de cooperação comercial entre a União Europeia e o
Mercosul prevê eliminar, em um horizonte de 15 anos, mais de 90% das tarifas
praticadas hoje nas transações de mercadorias entre os dois blocos.
Além da resistência de produtores
agrícolas (sobretudo na França e na Irlanda), a parceria foi alvo de críticas
de ambientalistas, que ressaltavam a fragilização dos organismos de
monitoramento e combate ao desmatamento sob o governo Jair Bolsonaro.
Horas após a assinatura do pacto, o
presidente francês, Emmanuel Macron, disse que obtivera do Brasil a garantia de
que o país não deixaria o Acordo de Paris sobre a mudança climática (2015), que
fixa metas para reduzir a emissão de gases causadores
do efeito estufa.
No comunicado de quinta-feira, Varadkar
declarou-se “muito preocupado” com a disparada das notificações de queimada na
Amazônia (84% a mais de janeiro a 21 de agosto do que no mesmo período de
2018).
“Os esforços do presidente para culpar
ONGs de defesa do ambiente pelo fogo são orwellianos”, afirmou o
primeiro-ministro, aludindo ao escritor inglês George Orwell (1903-50) e à sua
denúncia insistente de totalitarismos.
“A declaração dele [Bolsonaro] de que o
Brasil permanecerá no acordo do clima ‘por enquanto’ deixa a Europa de antena
ligada.”
O pacto Mercosul-UE ainda precisa
passar pelo crivo dos chefes de Estado e governo europeus, antes de ser
submetido ao Legislativo de cada integrante do bloco e ao Parlamento Europeu. O
processo deve levar ao menos mais dois anos.
Fonte: Folha de São Paulo

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