quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Atrasos em repasses do MCMV chegam a R$ 60 milhões no Ceará

(FOTO: RODRIGO GADELHA)

O Governo Federal tem atrasado os pagamentos das obras do programa de habitação popular Minha Casa Minha Vida (MCMV) no País há pelo menos dois meses, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). No Ceará, os atrasos chegam a ter três meses de duração, gerando dívidas para as construtoras locais de cerca de R$ 60 milhões e afetando diretamente 20 mil trabalhadores e, pelo menos, 30 empresas do setor que trabalham na faixa 1 do programa, cujas unidades são destinada a famílias com renda de até R$ 1,8 mil mensais.

"Até agora, não houve uma resposta concreta por parte do Governo para sabermos o que realmente está acontecendo. Eles disseram que iam liberar R$ 1 bilhão, mas esse dinheiro ainda não apareceu. Por conta disso, as obras estão atrasadas, comprometendo a entrega. As famílias que estão esperando (pelas unidades) vão ficar mais preocupadas", aponta Andre Montenegro, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE).

Nesse segmento, 90% do valor do imóvel são subsidiados com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), quase 80% do total investido no programa durante o primeiro semestre do ano - R$ 2,09 bilhões de R$ 2,54 bilhões - foram para a faixa 1.

De acordo com Montenegro, os atrasos começaram no início do ano. "No começo do ano, eles atrasaram quase quatro meses. Aí quitaram no meio de maio, mas depois começaram a atrasar de novo. Se continuar assim, as empresas que atuam nessa faixa vão ter só prejuízo. São obras que têm custo apertado, as empresas não conseguem ter tanto lucro. Quando atrasa, as obras aumentam os seus custos administrativos, como demissão e novos contratos", lamenta.

Em nota, o MDR afirmou que "vem cumprindo rigorosamente a destinação de recursos à área de habitação popular", de acordo com o volume de recursos que tem recebido. A Pasta, no entanto, admitiu que pediu ao Ministério da Economia ampliação dos recursos para honrar os pagamentos no segundo semestre, "ciente do ritmo de execução do programa e do cenário macroeconômico do País".

Paralisações
Diante de um cenário de incertezas, o presidente do Sinduscom-CE alerta que, caso não haja nenhum posicionamento do Governo, o andamento das obras será afetado em breve. "Sem a definição do Governo, as construtoras, a partir da próxima semana, vão diminuir ou quase parar o ritmo das obras. Não temos dinheiro para comprar material e principalmente pagar fornecedores ou funcionários", diz.

Pagamento insuficiente
Em todo o País, os atrasos somam R$ 500 milhões, atingem 512 empresas e 200 mil funcionários, responsáveis por 900 empreendimentos, segundo o Cbic. O MDR afirmou que, em agosto, serão repassados R$ 160 milhões para o MCMV, mas o setor está insatisfeito. "Esse montante é insuficiente. Se ele está devendo R$ 500 milhões, logo está faltando mais da metade", aponta Montenegro.                     Diário do Nordeste

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