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| (FOTO: RODRIGO GADELHA) |
O
Governo Federal tem atrasado os pagamentos das obras do programa de habitação
popular Minha Casa Minha Vida (MCMV) no País há pelo menos dois meses, segundo
a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). No Ceará, os atrasos
chegam a ter três meses de duração, gerando dívidas para as construtoras locais
de cerca de R$ 60 milhões e afetando diretamente 20 mil trabalhadores e, pelo
menos, 30 empresas do setor que trabalham na faixa 1 do programa, cujas
unidades são destinada a famílias com renda de até R$ 1,8 mil mensais.
"Até
agora, não houve uma resposta concreta por parte do Governo para sabermos o que
realmente está acontecendo. Eles disseram que iam liberar R$ 1 bilhão, mas esse
dinheiro ainda não apareceu. Por conta disso, as obras estão atrasadas,
comprometendo a entrega. As famílias que estão esperando (pelas unidades) vão
ficar mais preocupadas", aponta Andre Montenegro, presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE).
Nesse
segmento, 90% do valor do imóvel são subsidiados com recursos do Fundo de
Arrendamento Residencial (FAR). Segundo o Ministério do Desenvolvimento
Regional (MDR), quase 80% do total investido no programa durante o primeiro semestre
do ano - R$ 2,09 bilhões de R$ 2,54 bilhões - foram para a faixa 1.
De
acordo com Montenegro, os atrasos começaram no início do ano. "No começo
do ano, eles atrasaram quase quatro meses. Aí quitaram no meio de maio, mas
depois começaram a atrasar de novo. Se continuar assim, as empresas que atuam
nessa faixa vão ter só prejuízo. São obras que têm custo apertado, as empresas
não conseguem ter tanto lucro. Quando atrasa, as obras aumentam os seus custos
administrativos, como demissão e novos contratos", lamenta.
Em
nota, o MDR afirmou que "vem cumprindo rigorosamente a destinação de
recursos à área de habitação popular", de acordo com o volume de recursos
que tem recebido. A Pasta, no entanto, admitiu que pediu ao Ministério da
Economia ampliação dos recursos para honrar os pagamentos no segundo semestre,
"ciente do ritmo de execução do programa e do cenário macroeconômico do
País".
Paralisações
Diante
de um cenário de incertezas, o presidente do Sinduscom-CE alerta que, caso não
haja nenhum posicionamento do Governo, o andamento das obras será afetado em
breve. "Sem a definição do Governo, as construtoras, a partir da próxima
semana, vão diminuir ou quase parar o ritmo das obras. Não temos dinheiro para
comprar material e principalmente pagar fornecedores ou funcionários",
diz.
Pagamento
insuficiente
Em
todo o País, os atrasos somam R$ 500 milhões, atingem 512 empresas e 200 mil
funcionários, responsáveis por 900 empreendimentos, segundo o Cbic. O MDR
afirmou que, em agosto, serão repassados R$ 160 milhões para o MCMV, mas o
setor está insatisfeito. "Esse montante é insuficiente. Se ele está
devendo R$ 500 milhões, logo está faltando mais da metade", aponta
Montenegro. Diário
do Nordeste

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