Desde
que foi criado, em 2006, que o território chama a atenção do órgão
internacional, pela grande riqueza geológica, paleontológica, arqueológica e
cultural da área. Dessa vez não foi diferente, e todos os requisitos analisados
nas recomendações estabelecidas, além da situação atual do espaço, foram
bastante elogiadas pelos avaliadores do Vietnã e Espanha. O resultado final da
avaliação será apresentado no Congresso Mundial de Geoparks, no próximo ano, na
Coreia do Norte.
Os
avaliadores foram recepcionados pelo Reitor da Universidade Regional do Cariri
(Urca), Francisco do Ó Lima Júnior, o vice-Reitor Carlos Kleber, além da equipe
da direção do Geopark Araripe e técnicos. O último dia de trabalho, na
sexta-feira (19), contou com um momento de reunião para que as primeiras
impressões fossem apresentadas pelos integrantes da equipe.
O
geólogo espanhol Pablo Rivas, um dos avaliadores, agradeceu a recepção dos
técnicos que fazem o Geopark Araripe e destacou o grande trabalho que pode ser
feito na América Latina, no sentido do projeto servir de referência para
outros territórios. Para ele, o Geopark está numa posição privilegiada na
região do Caribe e da América Latina, por todas as implementações realizadas no
território.

Referência
Segundo
Pablo Rivas, é importante destacar o magnífico trabalho que está sendo
realizado. “A região do Araripe está numa posição privilegiada por oferecer
exemplos vivos ao resto da América Latina. Creio que seria muito interessante
se encaixar dentro do Geopark, que mostra muita experiência e outras
ocorrências que possam estar presentes em lugares da América Latina. Em relação
a avaliação, ele disse que muitas questões que ocorrem com a presença do
Geopark, antes não aconteciam, isto para explicar que o Geopark está sendo um
instrumento de desenvolvimento necessário, que deve continuar.
Poder
visitar o Geopark foi um momento especial, conforme destacou o geólogo
vietnamita Tran Tan Van. Ele explicou que essa é uma ocasião que se põe à prova
a capacidade do geoparque, diante da comunidade. O avaliador não esconde a
alegria de poder visitar as áreas dos geossítios, num momento de grande
descoberta.
Todo
o trabalho foi acompanhado pelo reitor Lima Júnior e a equipe técnica do
Geopark Araripe, que deram o suporte necessário para a realização das
avaliações. As análises executadas foram desde o âmbito da educação,
envolvimento das comunidades e infraestrutura. Todos esses fatores foram
examinados de forma positiva pelo cumprimento das ações ao longo da última gestão
da Urca e as proposições de administração que estão sendo empreendidas com a
gestão da Universidade.
Segundo
o Reitor, o que foi aprimorado ao longo dos anos, como critérios estabelecidos
pela Global Geoparks Network – GGN e Unesco, tem como ponto de partida
verificar se avaliar quais as recomendações anteriores que foram implementadas.
O destaque, dessa vez, foi verificar a conduta e condução do Geopark.
Transformações
Uma
das recomendações importantes nos últimos anos, foi lançar um olhar a mais no sentido
de realizar uma reestruturação do Museu de Paleontologia, que após uma ampla
reforma, recebeu a denominação de Plácido Cidade Nuvens, ex-reitor da Urca e
criador do equipamento. Com isso, já houve uma transformação positiva a partir
da última gestão, dando maior visibilidade à coleção e organização no sentido
museográfico e museológico, com um critério sequencial, na exposição
permanente.
Houve
também um trabalho de antecipação em alguns aspectos, antes mesmo das
recomendações técnicas, como na Ponte de Pedra, em Nova Olinda, que não poderia
ter sustentabilidade com a obra do asfalto no local, conforme laudo.
Encomendamos uma obra de suporte, que foi feita embaixo, para não deixar a
ponte cair, possibilitando a preservação e geoconservação do patrimônio.
Diversidade
O
Reitor destaca a preservação, gestão e diversidade dos geossítios, que são
acompanhadas de forma constante. “Temos um portfólio de parceria que é o mais
diversificado da GGN, que vai desde associação comunitária, de artesãos,
empresários de médio e grande portes, empresas encubadas pelo Geopark, agências
de turismo, e a comunidade”, disse ele. No local já foram realizados simpósio e
trabalhos, no intuito de promover maior integração e diálogo. Com isso, criando
estratégias de envolvimento.
Há
uma proposta a ser aprovada de criação de mais dois geossítios, do Sítio Santa
Fé e outro do Caldeirão, que se encontra em fase final de trabalho, mas que
independe da avaliação que vem sendo feita pelo Geopark e que a qualquer
momento podem ser anunciados. Inclusive já foi realizado simpósio no próprio
Caldeirão, promovendo uma imersão. Isso destacando principalmente a importância
histórica do local, além do patrimônio geológico, num espaço que une a Bacia do
Salgado e do Jaguaribe, numa hidrologia singular diante de um poço que não
seca, além da relevância do sítio rupestre.
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