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| Tragédia em Milagres terminou com 14 mortos (FOTO: ANTONIO RODRIGUES) |
O
laudo de balística pela Perícia Forense atesta que os reféns do caso de Milagres foram mortos por tiros de fuzis. A
constatação, obtida com exclusividade pelo Sistema Verdes Mares, faz parte do
inquérito policial que investiga as mortes, bem como a tentativa de roubo aos
dois bancos em Milagres, numa ação que terminou com 14 mortos, incluindo cinco
reféns da mesma família. Diante da novidade, os investigadores cruzaram outras
informações, sendo a principal delas a de que os suspeitos dos ataques não
portavam fuzis, mas outros tipos de armamentos. Essa revelação caminhou para
outra: partiram dos policiais os tiros que mataram reféns e suspeitos.
A
operação em Milagres foi realizada pelo Grupo de Ações Táticas Especiais
(Gate). Em depoimento, que consta no inquérito policial, testemunhas
oculares do caso já afirmavam que teriam partido dos policiais militares os
disparos, que não teriam agido com “nenhuma cautela”, disse um dos depoentes. A
reportagem entrevistou, com exclusividade, testemunhas de toda a ação no
centro de Milagres. Diante das acusações, elas temem pela vida.
Os reféns foram tomados de sequestro na BR 116, entre
Milagres e Brejo Santo, voltando do aeroporto de Juazeiro do Norte. Num dos
relatos mais fortes, já na cena do tiroteio, a família de Serra Talhada (PE) é
vista de mãos dadas ao lado do Bradesco, como escudo humano, enquanto dois
suspeitos escondiam-se atrás. Os adolescentes da família estão entre os
primeiros alvejados, com tiros de fuzil na cabeça.
Claudineide,
que vinha de São Paulo com o esposo e um dos filhos, grita em desespero, e
em outra sequência de tiros toda a família é abatida. Genário Laurentino e
Fernandes Rodrigues, pai e filho de Brejo Santo que também eram reféns
deitaram-se no chão e, sendo alvos, conseguiram escapar. Edneide, filha de
Fernandes que tinha acabado de chegar de São Paulo, é morta com um
tiro na cabeça dentro do Celta, ao lado da mãe, Maria Lurilda. Da família
pernambucana, João Batista e Vinícius Magalhães buscaram Claudineide, Gustavo e
Cícero, que também chegavam de São Paulo para passar o Natal com os
parentes.
Em
nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará
(SSPDS) informou que as circunstâncias do ocorrido no município de Milagres
estão sendo investigadas pela Policia Civil. “Mais informações serão repassadas
em momento oportuno para não comprometer o andamento dos trabalhos
investigativos, que estão em fase de conclusão”. Na tarde de terça-feira,
o Secretário André Costa afirmou que não tem os laudos e não está autorizado a
falar sobre o caso. Diário do Nordeste

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