domingo, 11 de março de 2018

Relíquias e arte decoram a Igreja dos Franciscanos, em Juazeiro

O Santuário de São Francisco foi inspirado nos edifícios
lombardos do século VII e todas suas imagens vieram
da Itália. (Foto: Antonio Rodrigues)
Juazeiro do Norte. "Os missionários, porém, traziam um plano arrojado: erguer na cidade um templo dedicado ao Poverello, mais vasto, majestoso e artístico que o de Canindé. Expuseram o projeto à multidão devota e ela o aplaudiu", narrou frei Carlos do Arary, em novembro de 1953, sobre a construção do Santuário de São Francisco de Assis, a popular Igreja dos Franciscanos, inaugurada no dia 6 de janeiro de 1956. Feita com colaboração de várias pessoas, inclusive romeiros, o local abriga diversos símbolos, cores e referências artísticas e arquitetônicas.

Construída no meio do mato, próxima à estação ferroviária, o local foi uma roça de mandioca e um pequeno campo de futebol. O terreno, que pertenceu ao Padre Cícero, foi doado à Diocese de Crato, que repassou aos capuchinhos. Segundo frei Raimundo Barbosa, atual pároco da Igreja, a vinda dos frades, em 1949, e a construção do Santuário foi uma forma de a Igreja combater o milagre de Juazeiro.

"Dom Francisco de Assis Pires teve a ideia de chamar os capuchinhos para se instalar em Juazeiro do Norte a fim de criar a devoção por São Francisco e, de certa forma, abafar a atuação do Padre Cícero. Hoje, a realidade mostra que eles implantaram, mas Padre Cícero continuou amado e querido pelos romeiros", conta o frade.

No dia da inauguração da pedra fundamental, em 6 de janeiro de 1950, o vigário da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, o Monsenhor Juviniano Barreto, foi assassinado a facadas durante o evento.

Apesar da fatalidade, a obra seguiu até ser concluída e celebrada exatos seis anos depois. "Chamaram os capuchinhos de loucos porque iam construir um monumento desses no meio do mato", acredita frei Barbosa.

O teto possui nomes de pessoas e famílias que colaboraram na construção do templo gravados dentro de estrelas; a homenagem cobre toda parte do forro. (Foto: Antonio Rodrigues)
De acordo com os dados dos próprios frades, para a construção da Igreja dos Franciscanos, foram necessárias 560 mil horas de trabalho, 4.591 sacas de cimento, cerca de 49 mil quilos de ferro, 4.500 metros quadrados de vidro e, aproximadamente, 3 milhões de tijolos. Todo esse material e suor deu origem ao complexo que, hoje, possui a Igreja, o pátio, convento, abrigo, seminário e a Escola São Francisco.

Toda construção foi planejada pelo Frei Francisco de Milão, o "frade engenheiro", como diziam, que trabalhou, incansavelmente, para sua conclusão. Os mais antigos contam que ele trabalhava durante o dia e São Francisco de Assis noite adentro. O frade italiano foi responsável também pelas edificações da Catedral do Nosso Senhor do Bonfim, em Grajaú, da Igreja Matriz de Imperatriz e da Igreja-monumento aos mártires do Alto Alegre, em Barra da Corda, todas no Maranhão. Além disso, planejou obras para conventos e escolas.

Edifícios lombardos
O Santuário de São Francisco foi inspirado nos edifícios lombardos do século VII e todas suas imagens vieram da Itália. A principal, do santo que fica no centro da Praça das Almas, veio de Milão. Ela é toda feita de bronze, pesa uma tonelada e tem quatro metros de altura.

Segundo frei Barbosa, a matéria-prima foi conquistada através de campanha na cidade italiana para que os donos de túmulos doassem objetos com a liga metálica.

Praça das Almas
"Crucifixo, jarras, letras. Recolheram tudo, derreteram e fundiram. Um homem fez a forma e dela só duas imagens, antes de quebrar. Só tem essa imagem aqui e em Milão. Por isso, se chama Praça das Almas, porque foi criada com material dos túmulos", explica o Frade. A própria Praça das Almas é inspirada na Praça de São Pedro, do Vaticano, com 224 colunas que suspendem o "passeio das almas", que circula a Igreja.

A torre do relógio possui 50 metros de altura. Também pode ser vista a imagem dos quatro santos responsáveis por evangelhos do Novo Testamento: João, Marcos, Mateus e Lucas. Além disso, diversos símbolos atraem olhares curiosos, como a Cruz Pátea e o Brasão do Papado. Segundo o frei Barbosa, o uso das figuras é comum, pois durante os seminários, o livro "História Sagrada", possuía muitos símbolos que narravam as histórias.              Fonte: Diário do Nordeste

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