domingo, 7 de janeiro de 2018

Prefeitura de Caucaia irá assumir coleta de lixo de forma definitiva

Resultado de imagem para fotos de Prefeitura de Caucaia irá assumir coleta de lixo de forma definitivaEntre o fim de 2017 e o início de 2018 não há diferença alguma para o comerciário Cláudio Pacífico. Talvez a modificação seja apenas na quantidade de lixo que cresceu frente ao seu ponto, no bairro Araturi, no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O odor, nada atraente, prejudica não só a qualidade de vida da família e o trabalho do senhor de 61 anos. 
As moscas invadem seu local de trabalho e a clientela foge para outras áreas a fim de comer um lanche sem qualquer interferência negativa no olfato. "A situação está precária, tem muito lixo que traz muito inseto, prejudica a saúde da população", afirma o comerciário ao observar os restos  —plastificados ou não — acumulados no meio-fio desde antes do Natal.
Diversos pontos com grande acúmulo de lixo fazem parte da paisagem dos bairros Jurema e Araturi. Além disso, pessoas vendiam pescados à céu aberto, nas proximidades de um desses locais, nos quais moscas pousavam no produto a ser vendido. A situação se repete pela cidade de Caucaia desde o fim de 2017, quando o contrato de limpeza urbana e domiciliar entre a Prefeitura e a empresa Marquise Ambiental, do grupo Marquise, findou. Nesta semana, o prefeito do município, Naumi Amorim, decretou situação de emergência em decorrência do acúmulo de lixo e disponibilizou materiais do poder municipal para fazer a coleta. 
Neste sábado (6), o prefeito e integrantes da Secretaria de Municipal de Patrimônio, Serviços Públicos e Transportes de Caucaia realizaram uma frente de trabalho para a realização do serviço de coleta. "Sei que essa limpeza não dá para fazer de imediato, mas a gente está tomando providências, está arrumando carros, motivando as pessoas, os amigos, o povo de Caucaia, para que a população fique com a cidade limpa", admitiu Naumi Amorim ao dizer que a Prefeitura não poderia pagar uma "cobrança irregular". 
Independência
De acordo com o gestor da cidade, a licitação iniciada em agosto de 2017 para prestação de serviço a partir de 2018 será cancelada. O processo licitatório chegou à fase de abertura dos envelopes das propostas e não foi finalizado pela Prefeitura. "Nós vamos fazer essa parte sem precisar de empresa nenhuma para limpar nossa cidade, vamos cadastrar os carroceiros, os carrinhos de lixo, caminhões para fazer a limpeza, vamos mostrar para  a população que a gente dá conta de limpar com um custo bem mais barato", disse Naumi. 
Segundo o vice-presidente da Comissão de Acompanhamento de Licitações e Contratos da OAB-CE, Salviano Medeiros, é possível revogar uma licitação caso ela seja considerada inoportuna ou incoveniente. Contudo, segundo o advogado, "as decisões administrativas têm de ter motivação real, não podem ser genéricas porque se trata de um serviço essencial". 
De acordo com Salviano Medeiros, o poder municipal pode tomar para si a prestação dos serviços em questão quando houver alguma situação a qual a justifique. No entanto, "o que se vê na realidade é que o ente público não têm "nohow (expertise)" para executar os serviços, por isso se vale de empresas especializadas para tanto". Segundo ele, a decisão da Prefeitura "vai na contramão" do que vem sendo realizado pela administração pública. 
Enquanto a situação jurídica não é resolvida no município, os moradores da região divergem frente à decisão da Prefeitura. O representante comercial Arisnaldo de Sousa, 68, defende a escolha da gestão e diz que o prefeito está tentando melhor a situação da cidade. "Tem lixo despejado na rua? Tem, porque houve uns dias em que não foi coletado lixo. Mas, está normalizando, isso é normal", disse. Por outro lado, o porteiro João Andrade, 58, considera a situação insustentável. Segundo ele, "o serviço está péssimo; antes a coleta estava até boa, o caminhão passava todo dia, mas agora está com um tempo que não passa, agora está horrível".

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