quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Incêndio destrói vegetação de Caatinga

O fogo na mata nativa de Taquari começou no domingo passado e se estendeu até ontem pela manhã cedo ( FOTO: HONÓRIO BARBOSA )

Lavras da Mangabeira. Um incêndio de grandes proporções atingiu a mata nativa na localidade de Taquari, zona rural deste município, na região Centro-Sul do Ceará. Os moradores da localidade ficaram apreensivos, temendo o fogo atingir casas e pastagem. Nesta época do ano, há queimadas em todas as regiões do sertão cearense, decorrentes de uma prática antiga de preparo de terra para o plantio ou de ação criminosa.
Os moradores das localidades de Taquari, Pimentas, Aroeiras e Oitis suspeitam que o incêndio foi criminoso, semelhante ao que ocorreu em 2012, deixando um rastro de destruição de mata nativa do bioma Caatinga e de pequenos animais. "A nossa sorte é que o fogo não seguiu para o sítio Taquari de Cima e passou para o alto e o outro lado do serrote", disse Manoel Gomes de Oliveira.
O fogo na mata começou no domingo passado e se estendeu até ontem, pela manhã cedo. Os moradores acionaram o Corpo de Bombeiros de Iguatu que enviou dois sargentos para analisar a situação. Sem acesso a viaturas, a alternativa de combate às chamas, caso persistisse, seria o uso de helicópteros da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) da Polícia Militar. "Não há como nenhum caminhão chegar próximo ao fogo", explicou o subtenente da Seção de Combates a Incêndio do Corpo de Bombeiros em Iguatu, Éder Jessé.
Após consumir a maior parte da vegetação nativa e por ação do vento contrário, o fogo cessou no sítio Taquari, nessa terça-feira, mas havia sinais de persistência do outro lado da serra. "O nosso temor é que a queimada pode recomeçar", frisou o agricultor, Raimundo Erivelto Batista da Costa. Uma equipe da Defesa Civil local visitou a área com o objetivo de avaliar a situação.
O agricultor Manoel Gomes lamentou a destruição de mata nativa (sabiá, marmeleiro, amarelo, cumaru e juazeiro) e a morte de animais de pequeno porte (tatu, tiú, mocó), e de cercas que separam as propriedades rurais. "Nesse período do ano, a vegetação está muito seca, a temperatura elevada e o vento ajudam a espalhar o fogo", pontuou. "Quando chove, fica tudo verdinho e a Caatinga é rica, produz flores para as abelhas e alimentação para o rebanho".
Em outubro passado, o Ceará registrou 949 focos ativos de queimadas. Em setembro passado, foram observados 505. Neste mês de novembro, até ontem, já foram registrados 165. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio do Programa Queimadas, de monitoramento por satélite. O ano de 2016 fechou com 4431 focos ativos, o maior desde 2010. Neste ano já são 1908.
A série histórica mostra que, nos meses de setembro a dezembro ocorrem maior quantidade de queimadas no sertão cearense. O recorde no Ceará ocorreu em 2003, com 8318 focos ativos, no período de 1998 a 2016. "Nos últimos anos, houve maior conscientização dos produtores rurais, mas muita vegetação já foi destruída nesse período", observou o agrônomo da Ematerce, Antônio Pereira de Souza.
Ampla área
Nesta cidade na região Centro-Sul do Ceará, setembro terminou com dois incêndios que atingiram ampla área de pastagem e vegetação nativa nas localidades de Varjota e José de Alencar. "Esse incêndio do Alencar permaneceu por quatro dias, e foram três ações de combate, mas o fogo ressurgia", disse o capitão Marcos Acácio, da Seção de Combate a Incêndios do Corpo de Bombeiros em Iguatu.
Em agosto último, o Corpo de Bombeiros registrou no município de Iguatu 76 ocorrências de incêndios em vegetação; em setembro passado, foram 71 e em outubro, 93. "Esses incêndios são frutos da ação humana, de forma criminosa ou involuntária", pontuou o capitão Acácio

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