Greve internacional das mulheres: 08 de março de
2017. Se a nossa vida não importa, que trabalhem sem nós. Ato unificado.
Prefeitura de Crato, 8 horas da manhã. Os coletivos, sindicatos, entidades e
movimentos sociais abaixo relacionados somam-se à luta internacional das
mulheres: das greves na Polônia, Coréia do Sul e Irlanda em defesa dos direitos
reprodutivos às greves e marchas na América Latina contra a violência, das
lutas contra o governo protofascista de Donald Trump às lutas das indianas
contra a cultura do estupro e pelas africanas na luta por educação, mercado de
trabalho e por democracia. “Várias delas combinaram lutas contra a violência de
gênero com oposição à informalização do trabalho e à desigualdade salarial, ao
mesmo tempo em que se opõem às políticas de homofobia, transfobia e xenofobia.
Juntas, anunciam um novo movimento feminista internacional anti-racista,
anti-imperialista, anti-heterossexista e anti-neoliberal” (trecho do manifesto
internacional). No Brasil, enfrentamos violências cotidianas de gênero.
Denunciamos veementemente e exigimos políticas públicas de prevenção e combate,
bem como providências urgentes para as constantes mortes da população LGBT,
como o bárbaro assassinato da travesti Dandara, em Fortaleza-CE. Nesse momento,
enfrentamos a possibilidade concreta de praticamente o fim dos direitos
previdenciários. Entre os segmentos da classe trabalhadora mais afetados pelas
medidas do projeto da reforma, estão as mulheres. A fixação da idade mínima de
65 anos para homens e mulheres é o carro-chefe do projeto. Isto significa que
as mulheres, em empregos urbanos, trabalharão mais cinco anos (hoje a idade
mínima é de 60 anos); se forem servidoras públicas ou trabalhadoras rurais,
mais dez anos; se forem professoras da educação básica, mais quinze anos. O
projeto desconsidera o trabalho doméstico socialmente realizado pelas mulheres,
visto que estão sujeitas a muito mais horas de trabalho não-remunerado (São
20,6 horas por semana lavando, passando, limpando, cozinhando, cuidando de filhos,
enquanto a população masculina gasta 9,8 horas em média para as mesmas tarefas,
segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2014.
Quase 6 milhões de mulheres são empregadas domésticas no Brasil (92% do setor)
e mais da metade são negras. Até 2014, aproximadamente 70% das empregadas não
tinham carteira assinada, obstruindo assim seu direito à aposentadoria. O
governo, para justificar a reforma, diz que é necessário deter o “rombo” da
Previdência Social. Não existe rombo. O problema é que os recursos da
seguridade social são desviados para outros fins como o pagamento de juros e
amortização da dívida pública. Enquanto cerca de 18% do orçamento da União é
destinado à previdência, 47% é usado para a dívida. Essa dívida não é nossa.
Portanto, não vamos pagá-la com os nossos direitos e d@s futur@s trabalhadores
(as). Quem a fez que a pague. Nos somamos, também a tod@s @s trabalhadores (as)
à greve geral do dia 15/03. Contra a Reforma da Previdência. Fora Temer!
Frente
das Mulheres dos Movimentos do Cariri, SINDURCA, Conselho Municipal de Defesa
dos Direitos da Mulher Cratense, Conselho Municipal de Defesa da Mulher de
Juazeiro do Norte, PSOL, Rua – Juventude Anticapitalista, Piquenique Feminista,
Rede de Mulheres em Comunicação (Articulação Nacional), Sind. dos(as)
Servidores(as) Municipais, MAIS/Cariri, Coletivo Marias, Sind. dos
Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais-Crato, FETRAEC/Cariri, Sind. dos(as)
Trabalhadores(as) do Comércio, Grupo de Valorização Negra do Cariri- GRUNEC,
Cáritas Diocesana do Crato
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