Santana do Cariri. Uma grande celebração de louvor e fé marca hoje, dia 15, com moto romaria, a abertura oficial da 13ª edição do Natalício de Benigna, realizada neste município na região do Cariri cearense. A expectativa, segundo estimativa da Matriz de Nossa Senhora Sant'Ana, é de uma movimentação com cerca de 35 mil fiéis até a data do encerramento, no dia 24, data do martírio. Neste ano, a Romaria traz o tema "Com Benigna, rumo ao centenário paroquial, celebremos as misericórdias do Senhor".
Segundo um dos organizadores, Ypsilon Félix, o dia da abertura dos festejos é alusivo ao nascimento da menina Benigna e o encerramento, data de sua morte, que em 2016 completa 75 anos. "Como providência divina, entre a data de seu nascimento e a data de sua morte há um intervalo de nove dias, justamente o tempo para celebração de novenas", explicou.
Movimentação
Com uma vasta programação e celebrações diárias, a organização acredita que a cidade de Santana do Cariri deva receber um grande fluxo de pessoas oriundas de municípios do Cariri e também da região do Centro-Sul. Durante este período, os fiéis devem visitar o Sítio Oitis, local onde Benigna foi martirizada, a cerca de 300 metros do Santuário, construído pelos próprios moradores.
No percurso, os Romeiros irão passar pela Avenida Monsenhor Mattiolli, denominada "Corredor da Fé", que está sendo construída desde o ano passado. Ypsilon avalia que, ao fim da obra, "não somente os romeiros serão beneficiados com uma estrada melhor, mas também os comerciantes, diante do aumento no fluxo de católicos". As obras estão com 50% de execução. A estrada em paralelepípedo, com 7 metros de largura, terá extensão de 2,5 quilômetros, ligando a sede do município ao bairro de Inhumas, local onde Benigna foi assassinada.
Estações
A primeira parte da obra contempla 1,5 metros de calçadas, com valas e calçamentos em paralelepípedo. Já na segunda fase, prevista para complemento da obra, a previsão é que sejam inseridas ciclovias, urbanização com iluminação e boxes para atendimentos aos fiéis.
Ypsilon detalha que o objetivo é criar, ao longo do percurso, estações da Via Sacra, como na Rua do Horto, em Juazeiro do Norte, em direção ao local onde está localizado o monumento de 27 metros erguido em homenagem ao Padre Cícero, que anualmente recebe 2,5 milhões de romeiros. A romaria será encerrada na segunda-feira, dia 24, com uma procissão com estimativa de atrair 20 mil fiéis.
No mesmo dia, haverá missa solene, com a despedida oficial do bispo diocesano Dom Fernando Panico. O sacerdote foi responsável pela abertura do processo de beatificação, em Roma. A celebração terá, ainda, a presença do bispo coadjutor dom Gilberto Pastana e toda a comunidade leiga das pastorais de base da região.
Beatificação
A jovem Benigna Cardoso foi brutalmente morta aos 13 anos por se recusar a praticar ato sexual com seu assassino, Raul Alves, da mesma idade. "Após sua morte a menina passou a ser invocada como santa por ser conhecida como pessoa cheia de Deus.
A partir desse episódio, muitos foram os testemunhos de graças alcançadas por seu intermédio, motivando não apenas a construção de um santuário, mas fazendo com que passasse a ser frequentado cada vez mais. "Com isso, as romarias surgiram em sua homenagem", explica o pároco de Santana do Cariri, Paulo Lemos Pereira.
Traslado
Em 2011, a Diocese do Crato iniciou os trabalhos para pedir ao Vaticano a beatificação da jovem mártir. A beatificação, conforme explica o sacerdote, é o primeiro passo para a canonização, processo pelo qual a Igreja reconhece oficialmente a fama e o testemunho de santidade de alguém que viveu e morreu heroicamente, marcado pelas virtudes cristãs. Com a abertura do processo, Benigna se tornou "Serva de Deus" e os seus restos mortais foram trasladados do cemitério da cidade para a Matriz de Nossa Senhora Sant'Ana, no Centro.
Segundo padre Lemos, o processo de beatificação está em andamento na cúpula da Igreja, em Roma. Além da extensa documentação que a equipe diocesana já entregou na Sede da Igreja Católica, o Vaticano solicitou, neste ano, depoimentos de pessoas que viveram nas décadas de 1940 a 1980, relatando graças alcançadas e sobre a consciência popular do martírio de Benigna.
Não obstante os trâmites burocráticos do Vaticano para o atendimento do pleito dos devotos, o louvor à menina mártir é mais um fenômeno da identificação do povo do Cariri com as manifestações católicas. Para o padre Lemos, não há como não reconhecer que se trata de mais uma referência de intervenção divina no meio popular.
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