Em comemoração ao Dia das Crianças, selecionamos cinco projetos que atuam no Crato, em Barbalha, Missão Velha e Nova Olinda, trabalhando pela educação, saúde e recreação das crianças. Conheça o Coletivo Camaradas, que há anos cuida de meninos e meninas da pobre Comunidade do Gesso; os livros de Auricélia, que se abrem para as crianças do Parque Granjeiro; os Anjos que Jakeline reúne para trazer alegria aos pequenos de vários lugares do Brasil; os pais e profissionais da saúde que lutam pelos direitos e tratamento de crianças com autismo na região e as brincadeiras sérias dos jovens profissionais da Casa Grande.
COLETIVO CAMARADAS
Foto: Hélio Filho
Acontece neste 12 de outubro a 8ª edição do Dia das Crianças na comunidade do Gesso, no Crato. A partir das 13h, o Coletivo Camaradas estará promovendo uma tarde com programação extensa: acontece uma oficina de criação de fantasias improvisadas, apresentação circense, o tradicional cortejo com a banda Zabumbar, contação de histórias com a contadora Elizabeth Pacheco, além de desenho e pinturas. Não distribuem brinquedos, recebe doação que ficam na brinquedoteca. “Nós combatemos esse consumismo infantil, então a ideia é de que a brincadeira seja um momento de troca de saberes e fazeres”, explica Alexandre Lucas, responsável pelo projeto.
A sede do Coletivo Camaradas fica na Rua Ministro João Gonçalves, nº 29, no Gesso. Toda sexta-feira à tarde, a casa abre para receber crianças na Brinquedoteca, espaço onde voluntários e crianças da comunidade se reúnem para aprender através de jogos e brincadeiras, além de oficinas e rodas de poesia.
LEITURA NA PRAÇA
Auricélia Melo morava em frente à praça Antônio Crispim, no Parque Granjeiro, e a cada fim de tarde e nos fins de semana, saía com os filhos à rua. Enquanto eles jogavam bola e andavam de bicicleta, ela aproveitava para ler livros. O trecho, por estar ao lado de um restaurante e estar sempre movimentado, ainda é dos mais seguros. A praça divide uma quadra com a Capela de Nossa Senhora da Conceição, onde sempre há meninos brincando.
Auricélia é das que acreditam que a comunidade tem de ocupar a rua e que a praça ainda é um espaço lúdico, uma extensão de cada quintal. Ela então viu a solução na porta sua casa: por que não criar um projeto de leitura para as crianças a cada sábado? Nascia então o Leitura na Praça, uma iniciativa que já dura dois anos, mesmo Auricélia não morando mais nas redondezas. Ela chega lá por volta das 16h, com caixas e mais caixas de livros infantis e um par de vassouras. Depois de limpar o chão do pátio e estender os tapetes, cerca de 30 crianças de todas as idades se sentam para escolher um em meio à centena de livros que Auricélia leva.
ANJOS DA ENFERMAGEM
Jakeline Duarte é natural de Farias Brito e estudava Enfermagem em Fortaleza quando “conheceu” Patch Adams. O autor de O Amor é Contagioso mudou a vida dela no momento em que descobriu as práticas de recreação e entretenimento para crianças em tratamento oncológico. Jakeline então transferiu seu curso para a Universidade Regional do Cariri para pôr em prática, na sua terra, o projeto que viria a buscar a cura através do riso. O Anjos da Enfermagem, iniciado em 2004, tomou proporções grandiosas, que a enfermeira jamais imaginou: hoje o projeto acontece em 23 hospitais de todo o Brasil, é parceiro do Conselho Federal de Enfermagem e de 23 faculdades, é levado por 176 voluntários diretos e quase 2 milhões indiretos. É maior projeto social de Enfermagem do Brasil – e encontra-se no Cariri!
Na nossa região, os Anjos da Enfermagem fazem a alegria dos pacientes da ala infantil de oncologia do Hospital Maternidade São Vicente de Paulo. Para colaborar, entre em contato através do e-mail secretaria.anjosdaenfermage@gmail.com e pelo telefone: (88) 3571-3101.
ASSOCIAÇÃO DE PAIS, PROFISSIONAIS E AMIGOS DE AUTISTAS DO CARIRI
Foto: Divulgação
Quando Pedrinho tinha dois anos de idade, Ana Moésia e Frank Macêdo suspeitavam que ele viesse a apresentar algum problema de audição, já que não atendia quando era chamado, não respondia a barulhos e era apático na maior parte do tempo. Depois de todos os exames descartarem essa possibilidade, restou o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pedro Igor hoje tem 7 anos e vem motivando mudanças não só na rotina da sua casa, mas na escola onde estuda, na cidade de Missão Velha e em todo o Cariri. Isso porque a sua condição inspirou seus pais a criarem a Associação de Pais, Profissionais e Amigos de Autistas do Cariri (AMA).
Uma das primeiras ações que a AMA promoveu em Missão Velha foi um mutirão de dois dias, em 15 e 16 de agosto do ano passado, onde neuropediatras, psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, advogados e assistentes sociais fizeram uma força-tarefa para levantar diagnósticos de crianças e adolescentes de várias cidades vizinhas, instruí-los em relação a cobrança de benefícios e aconselhamentos diversos. Edilânia Maria da Silva, mãe do Matheus, nessa mesma época lutava para que a Prefeitura Municipal cumprisse a lei e desse ao seu filho o tratamento e os medicamento que ele necessitava. Juntos, Edilânia e a AMA conseguiram fazer com que a Secretaria de Saúde naquela cidade atuasse como devia.

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