Sem alarde, o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, decidiu processar o ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff e ex-governador do Ceará Cid Gomes por declarações feitas durante convenção do PDT, no dia 17 de outubro passado, quando se filiou à legenda.
Durante a cerimônia, Cid acusou Temer de ser "chefe da quadrilha de achacadores que assola o Brasil". "Muito menos o Brasil pode avançar se entregar a Presidência da República ao símbolo do que há de mais fisiológico e podre na política brasileira, que é o PMDB liderado por Michel Temer, chefe dessa quadrilha que achaca e assola o nosso País", afirmou Cid.
O peemedebista entrou com duas ações na Justiça Federal, uma civil e outra penal. Temer recorreu ao Judiciário ainda no ano passado, acusando o cearense de ter cometido os crimes de calúnia, injúria e difamação.
Na queixa-crime, o vice pede que as eventuais penas sejam aumentadas em um terço por três motivos: o crime ter sido cometido contra funcionário público, em razão de suas funções; na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação do fato; e contra pessoa maior de 60 anos.
O Ministério Público Federal no Distrito Federal apresentou parecer em que opina pelo parcial recebimento da queixa-crime proposta por Temer - apenas quanto ao crime de injúria. A Justiça Federal do DF, contudo, decidiu remeter o caso para a Justiça Federal do Ceará.
A reportagem não localizou a defesa de Cid Gomes para comentar o processo. Em março, Cid já havia ido ao plenário da Câmara e dito ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que preferia "ser acusado por ele de mal-educado do que ser como ele, acusado de achaque". Cunha também processou Cid pela fala e, em setembro de 2015, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do DF a pagar R$ 50 mil por danos morais.
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