A permanência de pessoas em situação de rua em Fortaleza ainda se mostra um desafio para a gestão municipal, no que diz respeito à assistência adequada à essa população. No Censo e Pesquisa Municipal sobre o assunto, divulgado pela Prefeitura de Fortaleza no último mês de junho, foram contabilizadas 1.718 pessoas nessa conjuntura.
No dia 23 de dezembro, o prefeito Roberto Cláudio assinou o termo de posse dos conselheiros do Comitê de Políticas Públicas para População em Situação de Rua. A intenção é que a célula possa fortalecer as ações em benefício dessas pessoas, institucionalizando políticas dentro da Prefeitura, além de criar novas ações em prol dos que fazem das ruas como abrigo".
Hoje, existem seis equipamentos municipais para as pessoas em situação de rua, dentre abrigos e centros de referência. O mais recente deles foi inaugurado em junho do ano passado, na rua Solon Pinheiro, bairro José Bonifácio, com capacidade para atender até 200 pessoas por dia, entre as 8 e as 22h, além de contar com Pousada Social, com 80 vagas para os atendidos que desejam passar a noite.
Diferente da composição urbana tradicional, uma cama de casal tem lugar permanente na Av. Humberto Monte, no bairro Bela Vista. Em cima dela, um homem, chamado Marcos Lopes, de 41 anos, debilitado por problemas em uma das pernas, afirma estar no local há cerca de quatro anos por opção própria, tornando-se morador de rua logo depois da morte da esposa, há cerca de 20 anos.
"Tenho dois filhos, mãe, mas só o meu irmão quem vem me ver. Ele já tentou me levar para a casa dele no Castelão várias vezes, mas eu não quero sair daqui", enfatiza. Em outro ponto da cidade, a Praça do Ferreira já é reconhecida por acolher, todas as noites, dezenas de pessoas que abrigam-se abaixo das fachadas das lojas e prédios. Uma delas, que se identifica como Regina, é acompanhada das duas filhas, netos e netas que comparecem todas às noites para dormir na Praça. "Já estou aqui há mais de dez anos. Eu tinha a minha casa, mas tive problemas para pagar o aluguel e não consigo mais trabalhar, por isso tenho que vir para cá", relata.
O secretário Municipal do Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome (SETRA), Cláudio Gomes, avalia que a Prefeitura vem avançando em termos de estrutura: há 3 espaços de abrigamentos (Benfica, Joaquim Távora e Jacarecanga), dois Centro Pop (Centro e Benfica), Pousada Social (Centro) e Centro de Convivência (Centro) para dar suporte a esse pessoal.
"A diferença entre eles é que, no abrigamento, os moradores podem morar. Há 50 vagas em cada um. Nos Centro Pops podem passar só os dias, de 8 às 17horas, tendo alimentação, podem lavar as roupas e participar de oficinas. No Centro de Convivência, eles têm tudo isso e também podem se qualificar em fotografia, se alfabetizar, etc. "O grande problema enfrentado é que muitos não querem ficar por ter que seguir a disciplina do local". Em face de um caso como o de Marcos Lopes, por exemplo, ele afirma que as equipes de abordagem de rua vão até o local mencionado para realizar o atendimento. "Na ocasião, serão verificadas as demandas, apresentadas as políticas públicas em situação de rua executadas pela Prefeitura de Fortaleza e os encaminhamentos necessários. Agora vai depender da pessoa se aceita ir ou não", ressalta.
Contato
Segundo o Secretário, o "Serviço Especializado de Abordagem de Rua" atua em toda a cidade de Fortaleza, fazendo o contato direto com as pessoas que estão em situação de rua. Nesses momentos, a equipe explica como funciona o Centro Pop, acolhimento institucional e toda a Política Municipal para População em Situação de Rua.
Eles também articulam, com outros serviços públicos, encaminhamentos para atender demandas emergenciais verificadas na abordagem social. Tudo é feito com base no diálogo entre as equipes de abordagem e as pessoas em situação de rua.
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