segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ministério revê posição do CE quanto ao uso de agrotóxicos

Hoje é o Dia de Controle da Poluição por Agrotóxicos, que faz um alerta ao risco de poluição caso ocorra a utilização incorreta desses materiais, ressaltando ainda a importância das boas práticas agrícolas em relação ao seu uso
Iguatu. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reviu estudo divulgado em fins de setembro de 2015 em que apontava o Ceará como o terceiro estado que mais consumia agrotóxico no Brasil. Agora, a Pasta reconhece que o Ceará ocupa o 27º lugar entre todos os Estados da Federação. A correção do ranking foi encaminhada em carta para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).
Documento emitido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), - que tem se manifestado o tema - esclarece o equívoco, pois houve uma confusão entre a produção e venda de agrotóxico por uma indústria local e o efetivo uso do produto por agricultores. Dessa forma, houve um erro sobre o volume de agrotóxico comercializado por hectare plantado no Estado.
"O alto volume de comercialização ocorre pelo fato de o Ceará ser sede de um dos maiores fabricantes de agrotóxicos do Brasil, que exporta seus produtos para outros Estados e países. O cálculo feito com base na relação entre a quantidade comercializada e área cultivada não deve ser interpretado como consumo de agrotóxicos", explica o documento assinado pelo presidente Paulo Gadelha, pelo presidente em exercício, Valcler Rangel Fernandes, e pelo diretor do escritório da Fiocruz Ceará, Fernando Carneiro. A produção agrícola no Estado, que corresponde a 0,3% da produção nacional, utiliza uma média de 0,79kg de agrotóxico por hectare plantado, e não 19,76kg, como divulgado inicialmente. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no Ceará, foi quem elucidou o erro apresentado anteriormente.
Riscos
Nesta segunda-feira (11), transcorre o Dia de Controle da Poluição por Agrotóxicos, que faz um alerta ao risco de poluição caso ocorra a utilização incorreta desses materiais, além de ressaltar a importância das boas práticas agrícolas em relação ao seu uso. A data procura chamar a atenção dos produtores, autoridades e consumidores, mostrando que é preciso frear o uso abusivo desses produtos químicos.
O presidente da Faec, Flávio Saboya, comentou o equívoco observando que, se o Ceará ocupasse a 3ª posição no ranking de consumo de agrotóxico, precisaria ter uma produção agrícola em larga escala. "Teríamos o agronegócio muito desenvolvido, mas quem conhece o Ceará sabe das nossas crises e limitações", observou. "Desde o início que mostramos que havia erro no levantamento, que aquele estudo era um absurdo".
Saboya agradeceu o reconhecimento. "A Fiocruz reconheceu o erro e isso é importante para esclarecer a opinião pública, pois a imagem do Ceará ficou afetada, passando a ideia de que os nossos agricultores estavam enchendo de veneno os produtos", disse. "Na verdade, o Ceará é o último", ressaltou também.
A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará constituiu uma comissão para estudar o problema e propor a elaboração de uma lei que regule o uso de agrotóxicos. "A questão está no uso abusivo, em uma indicação errada de um produto para uma lavoura, na dosagem aplicada, na manipulação, guarda e na falta de equipamentos de proteção individual", frisou Saboya.
Prática
Por último, o presidente da Faec destacou as capacitações realizadas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) sobre práticas corretas do uso de agrotóxicos e da prática da agroecologia. "Temos o programa Agrinho de orientação às crianças e apostamos na formação futura de que o adulto de amanhã terá uma nova visão", ressaltou.
O gerente de Apoio Técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Cláudio Matoso, disse que há um esforço conjunto entre várias instituições que estão planejando ações para combater o uso abusivo de agrotóxico e fazer a transição para a agroecologia. "Temos muito que avançar, mas esse é o caminho", disse Matoso. "Estamos em fase de planejamento".
A agrônoma e assessora técnica em agroecologia da Ematerce, Cristina Pontes Vieira, disse que já há boas experiências no campo, tecnologias que asseguram a produção de hortaliças e de frutas com o uso de produtos naturais. "Na localidade de Olho Dágua em Piquet Carneiro estamos acompanhando um grupo de seis agricultores que produzem de forma limpa, sem utilização de agrotóxicos", frisou, complementando: "É uma experiência que será ampliada e cuja produção terá uma declaração do Ministério da Agricultura".
É preciso quebrar uma cultura de décadas. O uso de agrotóxico prejudica o produtor, o ambiente e a saúde dos consumidores. Diferentemente do agronegócio, voltado para a exportação, em larga escala de produção e com base na monocultura, a agricultura familiar permite o uso de técnicas modernas de cultivo limpo e a obtenção da lavoura diversificada em áreas reduzidas. "Dá para controlar o ataque de pragas", observa Cristina Vieira.

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