segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Crédito a setores prioritários deve ser ampliado

Infraestrutura, habitação, saneamento e capital de giro de pequenas e médias empresas foram citados como preferenciais na concessão de crédito
São Paulo. O governo pretende elevar o crédito de bancos públicos a setores considerados prioritários, como infraestrutura, habitação, saneamento e capital de giro de pequenas e médias empresas, afirmou o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em entrevista ontem à Folha de S. Paulo. Segundo o ministro, os empréstimos terão taxas menores do que aquelas obtidas no mercado, já que captados por instituições públicas. No entanto, não serão subsidiados pelo Tesouro Nacional e, por isso, terão custo fiscal menor.
"Nos bancos públicos e no FGTS há liquidez. Hoje o problema não é de oferta, é mais de demanda", afirmou Barbosa, de acordo com o jornal. "Mas podemos melhorar o foco das nossas políticas de crédito", acrescentou.
A declaração vem em linha com informação publicada também pela agência de notícias Reuters, que entrevistou uma autoridade do governo na quarta-feira passada (6).
Meta fiscal
No fim do ano passado, o governo pagou R$ 57 bilhões ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), em dívidas referentes às chamadas pedaladas fiscais realizadas no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.
O estímulo ao crédito viria em um momento de preocupações nos mercados financeiros sobre a possibilidade de o governo afrouxar seu comprometimento com o ajuste fiscal. Essa apreensão ganhou mais força em meados de dezembro, quando Joaquim Levy, conhecido por sua ortodoxia, foi substituído por Barbosa no Ministério da Fazenda. Na entrevista à Folha, Barbosa reiterou que o governo fará o que for preciso para atingir a meta fiscal deste ano.
Questionado sobre a possibilidade de a meta crescer agora ou no decorrer de 2016, afirmou que o objetivo deve "voltar a crescer o mais rápido possível, mas com medidas responsáveis".
Política monetária
O ministro também foi indagado sobre a política monetária brasileira, em meio a dúvidas no mercado sobre a disposição do Banco Central de elevar os juros em um momento de profunda recessão econômica, apesar da inflação de dois dígitos.
"O Banco Central tem autonomia para administrar a taxa de juros, não fazemos comentário sobre política monetária. As ações de política monetária são necessárias mesmo que você tenha elevação de inflação causada por fatores não relacionados à demanda", afirmou o ministro da Fazenda.

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