terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ceará tem 2º pior índice em assistência de saneamento

Das 150 cidades do semiárido do Estado do Ceará, 68 possuem serviços de saneamento, no entanto, percentualmente, as ações não têm distribuição adequada, conforme pesquisa do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) ( FOTO: ANDRÉ COSTA )
O Ceará é o Estado do Semiárido brasileiro com o maior número de municípios atendidos por sistema de coleta de esgoto sanitário. São 68 cidades - a Capital não está inclusa - dentre as 150 consideradas. É ainda o segundo em número absoluto de pessoas atendidas, com mais de 743 mil beneficiados. Mas, possuir sistema de coleta sanitária não constitui garantia de atendimento a toda a população urbana das sedes. Percentualmente, o Ceará possui o 2º pior índice de atendimento, já que, aproximadamente, 2,1 milhões de habitantes deveriam ser atendidos e mais da metade - ou 66% - não é.
Os dados constam no estudo "Esgotamento sanitário: Panorama para o Semiárido", elaborado pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) em 2014, mas divulgado somente ontem. A avaliação diz respeito a oito Estados da Região Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) mais o Norte de Minas Gerais, totalizando 1.135 municípios e uma população de 22.598.318 habitantes.
O Ceará possui 150 municípios dentro do universo da pesquisa. Destes, 68 são atendidos com sistema de coleta de esgoto sanitário, o que representa 45,3% do total. É o maior índice dos nove Estados, sendo seguido por Minas Gerais (41,2%) e Rio Grande do Norte (27,2%).
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Coleta sanitária
Por ter maior abrangência, possui também maior número de habitantes para atender: 2.170.829, conforme os dados. Destes, apenas 743.468, ou 34,3%, recebem efetivamente coleta sanitária. Está à frente somente do Estado do Piauí, que atende 32% da necessidade.
O Ceará também se destaca no investimento realizado anualmente para manter a rede de esgoto do Semiárido. Foram R$ 107.942.039/ano, segundo o estudo. Quase o dobro do segundo colocado, o Estado da Bahia, com R$ 68,6 milhões. Ainda pertence ao Ceará o título de segunda maior extensão de rede de esgoto, com 1.991 quilômetros, atrás agora da Bahia, que possui 2.206 quilômetros. Ao todo, são 169.142 ligações de esgoto, sendo 155.864 ativas.
Isto permite ao Ceará também ser o segundo maior produtor de esgoto do Semiárido, com 89, 5 milhões de metros cúbicos por ano. Destes, somente 22,6 milhões são coletados e 17,7 milhões tratados. O índice de coleta, calculado em 20,2%, está abaixo da média da região, que é 22,1%, estando à frente apenas de Alagoas (10%), Sergipe (8,6%) e Piauí (7,3%).
A grande extensão da rede de esgoto cearense é inversamente proporcional à qualidade dos serviços prestados, segundo apresenta a compilação do Instituto. Conforme o Insa, o Ceará possui a segunda pior duração média de reparos na rede, com 54,7h por extravasamento de esgoto registrado no sistema, à frente apenas de Pernambuco, com 97,5h por atendimento de caso.
Problemas
Entretanto, o Estado do Ceará é um dos que possui menor média de extravasamento por quilômetro: apenas 1,6 registro a cada mil metros. Alagoas, o pior Estado, possui 49,1 problemas em média por quilômetro de esgoto.
Outro dado que chama a atenção no levantamento é que o cearense paga uma tarifa abaixo da média praticada na região semiárida do País. No Estado do Ceará, o valor é de R$ 1,47 por metro cúbico de esgoto, 8,8% superior à média de R$ 1,60 entre os nove estados. No entanto, ainda é maior que o pago em Minas Gerais (R$ 1,25), Rio Grande do Norte (R$ 1,11), Alagoas (R$ 1,03) e Sergipe (R$ 1,01), segundo a pesquisa.

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