Brasília. Depois de duas semanas de estabilidade, o aumento de casos de microcefalia no País voltou a ganhar ritmo. Boletim divulgado ontem indica um aumento de 11% dos casos em uma semana. No Ceará, o número não aumentou desde a última divulgação.
Até o dia 9, foram registrados 3.530 nascimentos de bebês com a má-formação, que se caracteriza por perímetro cefálico igual ou inferior a 32 centímetros. Os casos foram registrados em 724 municípios, distribuídos em 21 Unidades da federação. O número de óbitos em investigação também aumentou Agora, são 46 em análise.
Pernambuco apresenta o maior número de casos: 1.236, o equivalente a 35% do total registrado em todo o País. Em seguida, estão os Estados da Paraíba (569), Bahia (450), Ceará (192), Rio Grande do Norte (181), Sergipe (155), Alagoas (149), Mato Grosso (129) e Rio de Janeiro (122).
Além do aumento do número de casos, o boletim traz resultados de amostras coletadas de dois bebês e dois fetos com diagnóstico de microcefalia. Em todos, foi identificada a presença do zika vírus. Os casos estavam sendo investigados no Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Dois são abortamentos e dois de bebês que morreram logo depois de nascer.
O material havia sido coletado pelo pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Kleber Luz - o primeiro a identificar a circulação do vírus zika no Brasil.
A análise ocorreu por meio de testes RT-PCR e de imunohistoquímica, que verificam o material genético do vírus e servem para diagnóstico de doenças infecciosas. "São testes que detectam fragmentos do vírus no tecido", diz Luz. "Isso mostra que não só tiveram infecção como o vírus está onde tiveram a lesão".
Com o resultado, sobe para sete o número de exames realizados em fetos ou em bebês que morreram logo ao nascer que apresentavam microcefalia e cujas mães haviam apresentado, na gestação, sintomas de zika.
Para o Ministério da Saúde, isso reforça a hipótese de relação entre infecção pelo zika e ocorrência de microcefalia e outras malformações congênitas. Mesmo assim, a pasta diz ser preciso continuar as investigações.
Outros fatores
Em São Paulo, pesquisadores de uma força-tarefa liderada pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP avaliam a possibilidade de outros fatores, além da ação isolada do micro-organismo, estarem relacionados ao aumento de casos de microcefalia.
O governo adota, a partir deste mês, duas medidas para aumentar o número de profissionais de saúde treinados para tratar pacientes com microcefalia. O Ministério da Saúde publicou, ontem, uma portaria que institui Centros Colaboradores para qualificação de profissionais. Módulos de cursos à distância também serão lançados.
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