quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Campanha da dengue vai a Sobral

O combate à doença depende dos agentes, mas, também, da população ( Foto: KARISON MESQUITA )
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Sobral O consolidado semanal da dengue em Sobral, divulgado nessa segunda-feira (4), relacionado à última semana epidemiológica de 2015, traz 2.707 casos notificados. Destes, 1.321 foram confirmados, com incidência de 661,32 para 100.000 habitantes. Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, observa-se um aumento de 227,79%. Ainda de acordo com o documento, o aumento de casos com a manutenção dos registros acima do limite superior de alerta coloca o Município em situação de epidemia, figurando com duas mortes na lista de óbitos do Estado, no mês de dezembro. Os casos são procedentes do bairro Alto da Brasília e distrito de Taperuaba.
A análise dos casos confirmados por faixa etária observados no ano passado indica que as maiores vítimas da doença estavam entre 15 e 49 anos, somando 438 pessoas. E as maiores concentrações de dengue no Município ocorreram nos distritos de Aprazível (201), Taperuaba (195) e Rafael Arruda (105); Bairros Vila União (96), Cohab III (84), Alto da Brasília (74) e Terrenos Novos (70); além dos distritos de São José do Torto (63) e Aracatiaçu (60). Com aumento considerável entre os meses de maio a novembro.
Levantamento
Já o trabalho realizado pelos agentes de endemias no monitoramento do índice de infestação predial, tanto na sede de Sobral, quanto nos distritos, com ajuda de informações coletadas pela Estratégia Saúde da Família, apontou que dos 3.405 imóveis inspecionados pela equipe de endemias no distrito de Taperuaba, 75 deram positivo para presença da larva do mosquito. No distrito de Rafael Arruda foram 50, para 2.527 residências; Aprazível apresentou 45 residências positivas, do total de 2.994 visitadas; seguido de Jaibaras com 3.371 casas visitadas e 32 positivas; e Jordão com 21 residências positivas, do total de 1.585 visitadas. Dos bairros de Sobral, que constam nesta estatística, Tamarindo aparece em primeiro, com 13.695 imóveis inspecionados e 57 positivos; Terrenos novos, com 65 positivos para 6.062 imóveis visitados, e Bairro Expectativa, com 14 imóveis positivos para dengue, do total de 2.219 visitados pelas equipes.
Mobilização
A Secretaria de Saúde de Sobral tem realizado campanhas e diversas outras ações de sensibilização, com apoio das comunidades, tanto na sede quando nos distritos. A mobilização é permanente, com passeatas, mutirões, abordagem educativa com entrega de informativos, além de material educativo e incentivo à realização de buscas ativas periódicas pelos agentes de endemias.
Em diversas oportunidades a secretária da Saúde, Mônica Souza Lima, tem apresentado dados referentes aos casos de dengue em todo o mundo, o quadro brasileiro, passando pelo Ceará, e os casos referentes a Sobral. Para ela, "o trabalho realizado pelos profissionais, precisa da ajuda de toda a população". Mônica afirma, ainda, a importância da sensibilização da população por meio dos mutirões. "Podemos ver pessoas de todas as idades participando", disse.
Grande encontro
Nesta quinta-feira (7), Sobral sedia, a partir das 9h30, a primeira reunião do ano do Comitê Gestor Estadual de Políticas de Enfrentamento à Dengue, Chikungunya e Zika, com a participação do governador Camilo Santana e prefeitos dos 55 municípios da macrorregião Norte. O encontro reunirá secretários de saúde, coordenadores da atenção primária, agentes comunitários de saúde, representantes das igrejas, do Exército, Corpo de Bombeiros e Ministério Público.
A ação faz parte do Plano Estadual de Enfrentamento ao Mosquito Aedes Aegypti, lançado pelo governo no último dia 21 de dezembro, em Fortaleza, fruto de uma ação integrada com parceria dos municípios e governo federal. A ação é urgente depois que o zika vírus teve relação confirmada pelo Ministério da Saúde com a microcefalia.
O Comitê pretende propor, articular, coordenar e avaliar as ações de controle do vetor, para reduzir a incidência das doenças e seus efeitos, além de auxiliar a pesquisa relacionada às ações de vigilância, prevenção, atenção à saúde e controle da dengue, chikungunya e zika. "Conduzimos esse processo de combate ao Aedes aegypti, há algum tempo, com apoio da comunidade. Na sede, temos mantido sob controle o índice de infestação do mosquito, mas alguns distritos seguem com índice acima do aceitável. O cidadão precisa se envolver, porque esse mosquito causa problemas gravíssimos e a morte, além disso está trazendo o zika, com um problema grave que é a microcefalia", disse o prefeito Veveu Arruda, prefeito de Sobral.
Dados gerais
O último boletim de 2015, com informações da Semana Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), que monitora as ações contra a dengue no Estado registrou 103.641 casos suspeitos de dengue no Ceará. O consolidado é referente ao dia 30 de dezembro último, que aponta, numa análise comparativa, em relação ao ano de 2014, aumento de 149% dos casos notificados no Estado, para o mesmo período.
De todos os casos notificados em 2015, o boletim aponta que foram confirmados 55.061 em 22 diferentes Coordenadorias Regionais de Saúde (CRES), em 172 municípios, com destaque para 78, entre eles, Alcântaras, com 11 mil habitantes que atingiu a assustadora incidência de 6.801 casos notificados entre os meses de janeiro e agosto, ocupando a segunda colocação dentre as cidades brasileiras que registraram a doença. Varjota também na região norte, ocupou a terceira colocação, com 3.318; seguida de Jaguaribara com 2.791 notificações e a quarta posição, no País, no ano passado.
Os outros município são: Abaiara, Aracoiaba, Aracati, Aquiraz, Arneiroz, Barbalha, Baixio, Barro, Barroquinha, Beberibe, Brejo Santo, Boa Viagem, Canindé, Capistrano, Catarina, Caucaia, Coreaú, Crato, Crateús, Eusébio, Farias Brito, Frecheirinha, Fortaleza, Guaraciaba do Norte, Hidrolândia, Horizonte, Iguatu, Ipaumirim, Ipu, Ipueiras, Itaitinga, Itapiúna, Itapipoca, Itatira, Jati, Jardim, Jucás, Limoeiro do Norte, Maracanaú, Maranguape, Mauriti, Meruoca, Miraíma, Milagres, Milhã, Mombaça, Mucambo, Nova Russas, Novo Oriente, Ocara, Palmácia, Palhano, Paracuru, Pacoti, Pentecoste, Pindoretama, Piquet Carneiro, Pires Ferreira, Poranga, Porteiras, Quixeré, Reriutaba, Russas, São Gonçalo do Amarante, São Luis do Curu, Sobral, Tabuleiro do Norte, Tamboril, Tianguá, Tauá, Trairi, Tururu, Umari, Umirim, e Várzea Alegre, com incidência acima de 300 por 100.000 habitantes.
Dos casos confirmados de dengue, a faixa etária de 20 a 29 anos predomina com 22,8%. Foram notificados 843 casos graves; destes 93,4% foram confirmados. Do total de casos graves, 84,3% (664/788) foram de Dengue Com Sinais de Alarme (DCSA) e 15,7% de Dengue Grave (DG). O documento afirma, ainda, que, dentre as mortes suspeitas, 68,6% foram confirmadas; 26,7% foram descartadas e 4,7% estão em investigação.
A média de idade dos óbitos confirmados foi de 37 anos, sendo o mês de maio, o de maior registro dessas mortes, localizadas nos municípios de Fortaleza (32), Maracanaú (6), Caucaia (5), Beberibe (3), Aquiraz (3), Aracati (2), Limoeiro do Norte (2), Sobral (2) e Várzea Alegre (2). Municípios que apresentaram um óbito: Assaré, Barbalha, Crato, Farias Brito, Ipueiras, Itaitinga, Itapiúna, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Russas, Pacatuba, Paraipaba, São Luis do Curu, Trairi e Varjota. Fortaleza, isoladamente, concentrou o maior percentual de DCSA, com 69,7%. Até o fechamento da última semana Epidemiológica, foram isolados três sorotipos em 304 amostras.
Classificação
Em 2014, o Brasil começou a adotar a nova classificação de casos de dengue, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Atualmente os casos são classificados como Dengue, Dengue com Sinais de Alarme (DCSA) e Dengue Grave (DG). É classificado como caso suspeito de dengue, qualquer pessoa que viva ou tenha viajado, nos últimos 14 dias, para área onde esteja ocorrendo transmissão da doença, ou tenha a presença de Aedes aegypti, que tenha febre, entre dois e sete dias, e apresente duas ou mais manifestações de dor de cabeça, das orbitas, náuseas, vômitos, entre outras. Também deve ser considerado caso suspeito toda criança proveniente ou residente em área com transmissão de dengue, com quadro agudo de febre, geralmente entre dois a sete dias, e sem foco de infecção aparente.

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