Um adolescente de 15 anos matou o irmão com três golpes de facão no pescoço, ontem, no distrito de Munguba, município de Trairi (a 124Km de Fortaleza). De acordo com a Polícia, o homicida disse que ouviu uma voz mandando ele degolar a criança e teria "sentido uma vontade irresistível" de atender à ordem.
Conforme o delegado Marcos Aurélio de França, titular de Trairi, os pais do garoto foram ao velório de um parente, em Paracuru. Os filhos ficaram sozinhos em casa. O adolescente disse ter ouvido a voz, foi até a o quintal e pegou um facão que estava enfiado na parede de pau a pique da casa. Ele entrou e matou o irmão que estava dormindo.
"O adolescente conta que teve uma vontade grande de matar o irmão. O menino estava dormindo de bruços, quando ele ia descendo o facão, mas se conteve. Antes de sair do quarto, a tal vontade voltou e ele desferiu três golpes do pescoço da vítima", afirmou o delegado.
O suspeito trocou a camisa que vestia, que ficou suja com o sangue da vítima, pegou uma motocicleta e foi até a casa da tia, no Centro de Trairi. Contou a ela que dois homens encapuzados invadiram a casa, mataram a criança e fugiram. A mulher acionou a Polícia.
"Quando chegamos na casa, o suspeito já estava lá de volta. Ouvimos a versão dele e percebemos que era uma fantasia. Não fazia o menor sentido. Fizemos a condução até a Delegacia e lá ele decidiu contar a verdade", afirmou Marcos de França. Membros do Conselho Tutelar local acompanharam o depoimento. O adolescente foi apresentado ao juiz da Comarca de Trairi, que decidiu pela internação em um Centro Educacional da Capital.
Comportamento
O delegado disse que recebeu boas informações do adolescente. "Os pais falam bem dele. As professoras dizem que era um aluno exemplar. Tinha um comportamento normal", afirmou.
No entanto, o investigador disse que encontrou no celular do infrator conversas estranhas. "No último dia 27 de dezembro, conversou com uma colega pelo WhatsApp dizendo que estava de luto, porque a mãe sofria de um câncer e havia falecido. Contou todo o sofrimento que estava passando, mas era tudo mentira", disse o delegado.
Na hora do depoimento, o investigador disse que o adolescente esta lúcido. "Ele disse que tinha muita vontade de se matar, mas não teve coragem". A mãe do garoto disse que acredita que o problema pode ser hereditário, porque ela também ouve essas vozes desde criança.
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