sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Cunha faz manobras e sofre reação na Câmara

O presidente da Casa negou ter articulado contra a reunião no Conselho e acusou adversários de "politizar" o processo contra ele ( FOTO: JOÃO CRUZ/ AGÊNCIA BRASIL )
Brasília. Com o auxílio de manobras regimentais e de uma coordenada tropa de choque, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiu atrasar a tramitação de seu processo de cassação, mas foi alvo de forte reação de deputados de vários partidos, que ameaçam obstruir as próximas sessões.
Pela primeira vez desde que assumiu a presidência da Câmara, em fevereiro, o peemedebista teve seu comando questionado no plenário de forma relevante, com críticas nos microfones e uma debandada de cerca de cem deputados, o que acabou derrubando a sessão que ele presidia por falta de quorum.
"Levanta"
Um dos momentos mais constrangedores para Cunha ocorreu quando a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) reclamou das manobras que inviabilizaram a sessão do Conselho de Ética. "Chega, senhor presidente, o senhor não consegue mais presidir. Levanta dessa cadeira, Eduardo Cunha", falou olhando em direção a ele, que se calou.
Segundo o peemedebista, seus adversários querem politizar o processo contra ele. "Na prática, tem uns do PT que reclamam que tentam dar o golpe contra eles, mas tentam dar o mesmo golpe", disse.
O presidente da Câmara havia aberto às 10h44 de ontem a Ordem do Dia no plenário e determinado que as comissões que estivessem funcionando naquele momento fossem suspensas.
Com isso, a reunião do Conselho sobre a admissibilidade do processo contra Eduardo Cunha acabou sendo encerrada. "Qualquer comissão que esteja funcionando está funcionando de forma irregular e toda e qualquer deliberação é nula", afirmou o presidente da Casa.
Na manhã de ontem estava prevista apresentação de parecer do relator Fausto Pinato (PRB-SP) que pede investigação contra Cunha. O peemedebista foi denunciado sob acusação de integrar esquema de corrupção da Petrobras e esconder patrimônio milionário no exterior.
No Conselho de Ética, aliados do presidente tentaram esvaziar a sessão por falta de quorum. O número mínimo de 11 dos 21 integrantes só foi atingido às 10h23, 53 minutos após o horário previsto. Quando enfim começou a reunião do Conselho, Cunha abriu a "ordem do dia" (período de votações) só com 189 deputados. Para deliberações o mínimo é 257.
Ameaças
O relator disse que não se intimidará diante de ameaças. "Vou fazer o meu trabalho", garantiu. Segundo deputados, ele revelou que recebeu telefonemas e uma abordagem de dois homens em uma moto. O presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), vai requisitar proteção da Polícia Federal ao parlamentar.
Ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello defendeu o afastamento espontâneo de Cunha.

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