Tempo integral flexível é foco da nova gestão
10.01.2015
Secretário diz que meta é ampliar a oferta de cursos técnicos de menor duração e em turnos diversificados
Na tentativa de combater a evasão escolar de jovens no interior do Ceará, ocasionada principalmente pela necessidade de ingressarem cada vez mais cedo no mercado de trabalho, a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) pretende, na gestão que se inicia neste ano, tornar a educação profissionalizante em tempo integral mais flexível. Hoje, cerca de 100 unidades de formação, espalhadas por dezenas de municípios, oferecem cursos técnicos aos estudantes que estão concluindo o ensino médio.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, o recém-empossado titular da pasta, Maurício Holanda, defende a importância de disponibilizar novas modalidades de cursos, com menor duração. A proposta é voltada para os jovens que não têm condições de cumprir a jornada de estudo das escolas de profissionalização do Estado. Ao todo, os alunos passam oito horas diárias nas instituições, durante três anos. Pela manhã, se dedicam ao currículo do ensino médio e, pela tarde, realizam formações em áreas como turismo, mecânica, contabilidade e enfermagem.
"O nosso modelo básico é muito positivo e deve permanecer, mas não são todos que têm capacidade de chegar de manhã sair à noite da escola. É totalmente razoável e necessário que tenhamos modelos mais flexíveis para que esses jovens possam ter acesso a oportunidades", afirma Maurício Holanda.
Competência
Segundo o secretário, a ideia é criar, além dos aprendizados a longo prazo, cursos de carga horária reduzida que resultem em grande competência laboral para a juventude. Conforme ele, o modelo pode ser aplicado nas formações em informática, idiomas, empreendedorismo e serviços administrativos, dentre outras. Em paralelo, também devem ser ofertadas aulas em turnos diversificados, de modo a atender a maior quantidade de estudantes possível.
O titular da Seduc afirma que tais mudanças nas escolas profissionalizantes podem ser implantadas de forma rápida, uma vez que o investimento básico nas unidades em funcionamento no Estado já foi realizado. "Vamos poder utilizar os laboratórios e os equipamentos já existentes nessas escolas, e trabalhar com o atual quadro de professores", explica Holanda.
O secretário destaca, ainda, que é imprescindível expandir e universalizar o acesso à educação profissional, inclusive nos municípios menores e de pequena densidade populacional. "É natural que a oferta se concentre onde está a maioria dos recursos e da população. Mas também é muito importante ter esse olhar comprometido com a ampliação de oportunidades para os jovens que moram no Interior", diz.
Ensino fundamental
Além da educação profissional, Holanda destaca outras prioridades para a gestão. Uma delas está no fortalecimento da atenção à faixa escolar do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Em diálogos com os municípios, o secretário afirma ter recebido demandas por uma maior quantidade de ações específicas voltadas para os alunos do nível.
"Muitos municípios estão pensando em começar uma modalidade de ensino tempo integral, em repensar currículo do 6º ao 9º ano, e em ter um sistema de monitoramento parecido com o que temos do 2º ao 5º ano. Por isso, estamos começando a traçar estratégias para essa faixa, sem largar a atenção que damos aos outros níveis", frisa.
Infantil
O ensino para crianças de 0 a 3 anos, também deve ser alvo de reforço. Em comparação a outros Estados do País, Holanda afirma que a oferta de centros de educação infantil no Ceará e no restante da Região Nordeste vem crescendo gradativamente nos últimos anos. Com isso, também aumentaram os índices de alfabetização na idade certa.
No entanto, o titular da Secretaria de Educação afirma que ainda é necessário ampliar o número de unidades e vagas destinadas aos meninos e meninas dessa faixa etária e trabalhar em parceria com órgãos que atuam na elaboração de políticas públicas para o desenvolvimento, como as secretarias de saúde e assistência social.
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