RIO - A morte do candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, abalou também o ramo cultural. Assim que a notícia sobre o acidente de avião que ia do Rio para Santos foi confirmada, no início da tarde desta quarta-feira, artistas lamentaram através de depoimentos.
Campos foi ministro de Ciência e Tecnologia entre 2004 e 2005, no primeiro mandato de Lula, mesma época em que Gilberto Gil foi ministro da Cultura (entre 2003 e 2008). Procurado pelo GLOBO, o músico preferiu não comentar a morte do amigo porque estava muito abalado.
José de Abreu, ator:
"É uma tragédia nacional. Estou de luto. Foi uma perda muito grande para a politica porque era uma liderança que estava se formando. Eu tinha uma confiança muito grande de que ele seria o candidato da esquerda para 2018".
Geraldo Holanda Cavalcanti, presidente da ABL, diplomata e escritor pernambucano:
"Estou perplexo e chocado com a notícia. Estive com Eduardo há pouco tempo, no velório de Ariano Suassuna, de quem ele era muito próximo. Sempre tive grande admiração por ele. Eduardo foi um político de vocação, uma pessoa cordata e comunicativa. Fez muito por Pernambuco e estava se projetando como líder nacional. Ainda poderia fazer muito pelo país".
China, pernambucano, músico, apresentador de TV:
"Fiz alguns shows na casa de Eduardo Campos, conhecia a família dele, era uma pessoa muito legal, parecia bem atualizado sobre cultura, era uma pessoa muito afável, era o tipo de político que essa nova geração de artistas conseguia conversar".
No Festival de Gramado para lançar "A luneta do tempo", seu primeiro filme como diretor, o músico Alceu Valença não quis falar nesse momento sobre a tragédia, mas confirmou que Eduardo Campos tinha seu voto. Alceu, que chegou a participar de um encontro com artistas promovido pelo PSB, disse que se preocupava com o "extremismo ecológico" da candidata a vice na chapa de Campos, Marina Silva, e que gostava do "equilíbrio" de Campos.
Marcelo Tas, apresentador de TV:
"Desde o ano passado, me aproximei mais de Pernambuco, estado com qual tenho grande ligação, e conheci de perto amigos, parte da família e alguma das pessoas envolvidas na campanha dele. E pude constatar o dinamismo e especialmente a jovialidade ele. Acho que isso é o mais chocante na morte do Eduardo. Ele era jovem demais para nos deixar. Independemente de não ser partidário ou militar pela candidatura dele, com a qual eu não tenho nenhuma ligação, creio é que o que falta hoje no Brasil, ter novos ares na política. Isso é o que mais me entristece. O Eduardo representava e trazia com ele um desejo de arejar a política. E a gente perde alguém na infância praticamente de sua vida política, ele ainda poderia contribuir muito para a vida política brasileira".
Eriberto Leão, ator:
"Eu acho muito importante, acabei de derramar minhas lágrimas de brasileiro. Ele representava a esperança, um novo paradigma na política brasileira, tinha essa vontade inequívoca e sincera de mudar a maneira como se faz política no país. Eu sou filho de pernambucana, o Leão do meu nome é de pernambuco. Eu fiz a 'Paixão de Cristo' duas vezes. Quando estive com Eduardo, ele me conquistou pela transparência, tinha um brilho no olhar que o ator é capaz de reconhecer, do lado uma das maiores mulhres desse país, a Marina Silva. Uma dupla poderosa. Ele faz parte de um grupo de políticos que realmente é diferente na minha opinião, momento de choque muito grande para a eleição mesmo, o Brasil perde muito com isso, vamos ver como vai ficar, eu acho que Marina deveria assumir. Afinal, a gente não pode deixar essa chama apagar".
Luciana Gimenez, apresentadora:
"Não conhecia o Eduardo, tinha visto uma entrevista dele no (programa do) Jô (Soares), achado bonito, alto, de olhos claros, jovem, diferente do que costumamos ver na politica. Me chamou atenção e eu pedi para entrevistá-lo. Eu gostei muito dele, pareceu uma super pai de família, foi um querido com todos nos bastidores, simpático com a plateia. Fico chocada com qualquer acidente de grandes proporções, ainda mais com um que envolve uma pessoa com quem eu tive contato muito recente. Foi um baque. Um cara com uma família enorme, vai deixar cinco filhos sem pai. A minha solidariedade a todos".
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