São Paulo. Pesquisa feita pelo Instituto Patrícia Galvão, organização social sem fins lucrativos voltada à comunicação e aos direitos das mulheres, revela que os partidos políticos brasileiros convidam candidatas para concorrer em eleições apenas para preencher a cota mínima exigida por lei.
O percentual de vereadoras eleitas no País nas eleições municipais, em 2012, de apenas 12%, revela que a equidade de gênero na política nacional está distante de ser alcançada.
O tema foi debatido, na última semana, na capital paulista, no seminário "Desafios para a Igualdade de Gênero nas Eleições Municipais de 2016". O estudo foi realizado em 2014 com base em entrevistas com 14 mulheres que concorreram como vereadoras na eleição de 2012. Somente metade delas conseguiu se eleger.
Segundo a pesquisa, o convite dos partidos é feito com um ou dois meses de antecedência das campanhas, mostrando o baixo interesse das legendas políticas em formar candidatas com chance real de vitória.
"É preciso se preparar pelo menos um ano antes, tem que preparar estratégia, mostrar a militância. Sou contra decidir ser candidata uma semana antes da convenção, nós temos que desencorajar isso", reiterou Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.
Sem chances
Entre as razões que levam essas mulheres a aceitar os convites, mesmo sabendo que possuem poucas chances de êxito, estão a preocupação em ajudar o partido ao qual já são filiadas, além do gosto pelo desafio.
Segundo o levantamento, as candidatas em potencial são engenheiras, advogadas, professoras, policiais, profissionais da saúde ou líderes de movimentos sociais.
"As mulheres, em geral, não se veem como candidatas. Antes de se candidatar a cargos eletivos já construíram trajetórias de longa experiência de atuação política, mas não necessariamente partidária", afirma o estudo.
A Lei de Cotas estabelece um percentual mínimo de 30% de mulheres no total de candidaturas à Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Cargos como prefeita, governadora e presidente não estão incluídos.
Apesar disso, o percentual de mulheres ocupando cargo de prefeita foi impulsionado pela Lei de Cotas, tendo crescido nas últimas eleições. Em 2012, foram eleitas 665 prefeitas (12% do total), contra 4,95 mil prefeitos. Candidataram-se 2 mil mulheres (13% do total), contra 13 mil homens. Em 2008, foram eleitas 504 prefeitas.
Figurante
A pesquisa do Instituto Patrícia Galvão mostra que somente no decorrer da campanha as mulheres percebem que entraram em um "jogo em que não deveriam ter entrado". "Ela passa a ser vista como uma candidata de segunda categoria, de menor importância", explica Jacira. O estudo mostra ainda que as candidatas mulheres não são vistas pelos partidos como participantes ativas, mas figurantes.
Para reverter esse quadro, conclui o estudo, a mulher precisa se integrar à estrutura do partido e atuar como protagonista.
Segundo dados do Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) e Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), em 2012 venceram as eleições 7,65 mil vereadoras (12% do total), contra 49,78 mil vereadores. Candidataram-se 134 mil mulheres (31% do total) e aproximadamente 286 mil homens.
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