sábado, 14 de novembro de 2015

Produtores de banana apreensivos

Como a oferta é maior do que a demanda, parte do que é produzido acaba ficando perdido no campo e serve de comida para os animais ( Fotos: Honório Barbosa )
A banana produzida em Iguatu é comercializada no mercado regional e também nos vizinhos estados da Paraíba e de Pernambuco
Iguatu Onze meses após a destruição de cerca de 250 hectares de banana da variedade pacovan, por causa de uma forte ventania, nas várzeas do Rio Jaguaribe, neste município, na região Centro-Sul do Ceará, recomeçou a colheita dos frutos. A retomada da safra poderia ser motivo de comemoração, mas a queda de preço do produto, o elevado custo de energia, a escassez de água nos poços e a falta de compradores trouxeram novas dificuldades para o setor.
Nos últimos 20 dias, muitos frutos não foram colhidos, ficaram abandonados nos pomares ou são dados para animais. A oferta está maior do que a demanda. O quadro é de preocupação. Foram atingidos com a destruição do bananal cerca de 120 produtores. Os pés menores em dezembro de 2014 não foram atingidos pelo vendaval e desde outubro passado começaram a produzir. As duas maiores reclamações dos produtores referem-se à queda no preço do fruto e ao custo de energia elétrica para irrigação que subiu demais.
O milheiro da variedade pacovan já chegou a ser comercializado por R$ 150,00, mas agora caiu para R$ 100,00. "Não dá para cobrir os custos de produção", observa o produtor Wagner Campos. "A situação está se complicando ainda mais porque os poços estão secando e o temor é a falta de água em 2016".
O produtor Murilo Barroso é um estudioso da produção local de banana e até junho passado era o presidente da Associação dos Fruticultores de Iguatu, entidade que foi extinta por falta de incentivo governamental. "Os compradores são os mesmos e os produtores ficam presos aos atravessadores, que impõem o preço. A produção foi retomada, mas o preço quase se acabou".
Murilo observa que, sem a instalação de uma central de compras e de câmeras frigoríficas, que eram objetivos da Associação dos Fruticultores, prevalece o modelo antigo, individual, cada um produzindo e vendendo sem um amparo associativo. "Infelizmente, não vejo um futuro promissor para o setor".
No município, a produção de banana das variedades nanica e pacovan é feita em uma área de 700 hectares, por 400 produtores rurais, a maioria de característica de agricultura familiar. As várzeas no entorno do Rio Jaguaribe são consideradas uma das melhores manchas de solo do Nordeste. "A produção preponderante é da agricultura familiar, feita em pequenas áreas de cultivo, em média inferior a dois hectares", observa Barroso. Cerca de 100 produtores rurais foram atendidos com novos financiamentos feitos pelo Banco do Nordeste, após a destruição do plantio. Os recursos foram investidos na renovação do plantio, aquisição de fertilizantes e de mudas. "Em breve, vamos ter de pagar o empréstimo, mas o valor de venda da banana não está dando lucro suficiente", lamentou o produtor Gil de Souza.
Transporte
Iguatu é um dos maiores produtores de banana do Ceará. A fruta é comercializada para o mercado regional e para a Paraíba e Pernambuco. Todas as semanas, caminhões fazem o transporte do campo para as cidades.
Um dos maiores produtores, Armando de Souza, que cultiva banana pacovan há mais de duas décadas, numa área de 18 hectares, lembra que teve um prejuízo elevado, de cerca de R$ 200 mil. "Parte da produção foi retomada, mas os custos estão cada vez mais elevados e o preço do fruto caiu bastante. A gente espera que ocorra uma melhoria no valor de comercialização para os centros de distribuição".
Na manhã de ontem, um caminhão transportou frutos para a central de distribuição em Tianguá. "Faço esse percurso três vezes por semana", disse o motorista, Carlos Oliveira. Segundo Barroso, houve uma melhoria na qualidade dos frutos, a partir de novas técnicas de colheita e transporte. "O gargalo é o preço e o alto custo de produção".

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