O ex-ministro Ciro Gomes, recém-filiado ao PDT, insiste que não vai antecipar seu nome para a sucessão da presidente Dilma Rousseff e defende um caminho democrático para a crise política e econômica vivida pelo País. Para ele, o cenário de instabilidade coloca em xeque a democracia. "Vai ter eleição? Você está segura disso? Eu não estou", declarou Ciro, ontem, ao Diário do Nordeste, antes de ministrar palestra na 72ª Semana Oficial da Engenharia e Agronomia, no Centro de Eventos do Ceará.
Diretor da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Ciro Gomes participou da programação do evento para expor o projeto da Transnordestina. Ele acompanhou a entrega de uma comenda ao governador Camilo Santana, homenageado pela profissão de engenheiro agrônomo. Filiado ao PT da presidente Dilma, o governador cearense ponderou, em entrevista, que Ciro tem muito a contribuir com o Brasil no cenário atual e no futuro. "Ele é um brasileiro que tem uma capacidade de inteligência, de pensar o País e acho que pode dar uma grande contribuição".
O petista evitou responder se a sua presença no ato de filiação de Ciro ao PDT, na última quarta-feira, gera constrangimentos ao PT, uma vez que a sigla pedetista já saiu da base aliada do Governo Federal e tem apresentado o desejo de disputar a Presidência da República. "Eleição só em 2018. Nós somos tudo do mesmo lado, da mesma base, e a eleição para presidente só é daqui a quatro anos", minimizou.
Gentileza
Ciro Gomes, por sua vez, atribui a participação do governador petista no seu ato de filiação à "gentileza" do chefe do Executivo cearense. "O Camilo é um queridíssimo amigo, um jovem militante de quem sou amigo a partir do pai (Eudoro Santana) e resolveu cometer mais essa, dentre tantas gentilezas que faz comigo, mas o seu papel é governar o Ceará, não há nenhuma razão complicada", destaca.
Afirmando que está mais "madurinho" na estratégia de evitar declarações polêmicas, Ciro Gomes declara que a prioridade, no momento atual, é assegurar que instrumentos democráticos sejam assegurados como saída para a crise no País. O ex-ministro não nega que o seu nome é cotado para disputar a sucessão de 2018, mas alega ser "completamente extemporâneo" antecipar sua candidatura.
"Eu não entro como candidato a nada, disse isso muito explicitamente e vou repetir, até porque considero de uma extemporaneidade infantil alguém com a experiência de 36 anos de vida pública, a três anos e cinco meses do próximo mandato, falar em processo eleitoral. A gente deve se dedicar a proteger o calendário, a democracia brasileira está ameaçada", reforçou o ex-ministro.
Ciro admite que, por ter sido candidato a presidente República, não pode fingir que não deseja concorrer novamente. "Quem tem a minha responsabilidade tem que ponderar isso, o que não quer dizer que amanhã eu não seja candidato, que eu não possa ser, eu mesmo digo que não uso minhas palavras para esconder o que eu penso. Uma pessoa que já foi candidato duas vezes a presidente no Brasil não pode andar dizendo que não quer. Apenas quero dizer que não posso colocar os carros na frente dos bois".
Ao Diário do Nordeste Ciro Gomes sugeriu que a presidente da República deve fortalecer duas frentes de trabalho para superar a crise: uma ação pela via política e outra econômica. Para ele, Dilma Rousseff deve reduzir a base aliada para assegurar a fidelidade ao Governo Federal. "Isso não quer dizer mandar ninguém embora, quer dizer apenas dar um freio de arrumação, chamar todo mundo para ver com quem conta, porque é muito melhor ter (...) parlamentares aliados por valores defensáveis à luz do dia do que pseudo-maioria que não serve para rigorosamente nada a não ser roubar e colocar a culpa na pessoa séria que é a presidenta da República", diz.
Problemas
Ciro ainda criticou a aliança com o PMDB como um dos principais problemas do Governo Federal. "Não é possível mais alimentar a ilusão de uma aliança assentada na fisiologia, no clientelismo e na roubalheira, como infelizmente são os cimentos que genericamente cimentam as alianças do PT com PMDB, que ainda deixa alguém enganado de que esse é o caminho", defendeu.
Ele não quis comentou declarações de insatisfação do senador Cristovam Buarque, que também pretende ser candidato a presidente da República pelo PDT, em que ele criticou a entrada dos Ferreira Gomes no partido como descaracterização das ideias da legenda. "Os partidos modernos usam sistemas de debates, de prévias, de discussão. E aquele que tiver a maioria do partido que seja (o candidato)", resumiu Ciro Gomes.
O governador Camilo Santana informou que, em visita a Brasília nesta semana, colocou-se à disposição para auxiliar o Governo Federal na superação da crise, o que envolve corte de gastos e aumento de impostos. "Nós, governadores, estamos nos colocando à disposição, dissemos à presidenta que queremos contribuir nesse processo do debate da saída da crise brasileira, essa crise afeta estados e municípios".
Nenhum comentário:
Postar um comentário